ARTIGOS - clique no assunto de interesse para exibir o texto
ANSIEDADE E STRESS
Entrevista para o Sistema Uno de Ensino
Vivemos num mundo em que cada vez mais se fala em competitividade e geração de resultados. Como um jovem prestes a prestar o Enem e vestibulares pode passar ileso e não ser afetado por essa pressão que principalmente o mercado de trabalho imprime?
Não tem como fugir ou escapar dessa pressão pré-vestibular. Toda essa situação de preparação para o vestibular gera uma grande expectativa, porque o ingresso na universidade está condicionado a ser aprovado ou não. Sendo assim, a cobrança sempre vai existir, seja interna ou externamente. No entanto, vai depender da forma como o jovem vai encarar essas cobranças. Se ele estudar pensando em ser o melhor de todos ou que esta é a sua única oportunidade de ingressar na universidade, provavelmente isto causará muita ansiedade. Por outro lado, se ele encarar estas cobranças, buscando desenvolver o melhor de si mesmo; pensando no potencial que ele tem dentro de si, provavelmente ele ficará muito mais tranqüilo e aprenderá com muito mais facilidade, o que vai lhe permitir se sentir mais seguro na hora da prova.
Convém salientar que o mundo corporativo está completamente diferente com os avanços tecnológicos e os jovens de hoje acompanham muito bem tudo isso e superam em muito os jovens de outras gerações. O raciocínio, a esperteza, a criatividade e o dinamismo deles estão cada vez mais presentes na evolução desses jovens. Justamente por isso o mercado de trabalho acaba por cobrar muito dessa geração, porque vêem que eles tem um grande potencial. Os jovens precisam tomar consciência de todos esses seus recursos internos; eles precisam de acreditarem neles e não se sentirem tão ameaçados e amedrontados diante dessas cobranças.
Quais os principais sintomas de ansiedade e stress que os alunos em fase de pré-vestibular ou Enem mais desenvolvem? Como isso tem afetado os estudos e o desempenho dos alunos? O que fazer para, pelo menos, diminuir a intensidade ou a freqüência desses sintomas?
A pior solução diante de tanta pressão seria estudar excessivamente e o aluno esquecer que tem vida fora estudo. Passar dia e noite e final de semana em cima dos livros. O cérebro não resiste a tanta informação e entra em curto circuito. E o prejuízo acaba sendo muito maior. Podendo levar o aluno a sentir alto nível de ansiedade que pode se manifestar das mais variadas formas, de acordo com cada pessoa : falta de concentração e memória, dor de cabeça, insegurança, incapacidade de relaxar, excesso ou falta de apetite, inquietação, desânimo e fadiga, depressão, medo, falta de confiança, gastrite, fadiga, insônia, dificuldade de respirar, palpitações, desligamento afetivo, entre outros. Estes sintomas aparecem em maior ou menor grau de acordo com cada um. Cada pessoa reage de uma forma diferente e também terão limiares diferentes de esgotamento. Vai depender da sensibilidade afetiva da pessoa, da visão que ela tem da realidade, da valorização do passado ou das perspectivas de futuro.
Uma representação pessimista da realidade pode favorecer reações de ansiedade enquanto uma representação positiva pode amenizar estes efeitos.
Vai depender também da imagem que a pessoa tem de si própria, incluindo a auto estima e auto confiança.
O melhor caminho é tomar conhecimento da sua ansiedade, buscando o auto conhecimento. Não encarar tudo como urgência; pensar positivo; acreditar em si e no seu potencial; fazer o melhor que puder.
É natural ter medo de não passar. Mas até quando o medo é normal e quando ele dá sinais de perda de controle no estudante?
Um pouco de ansiedade todos nós temos. Devemos considerar a importância de existir um determinado nível de ansiedade que vai servir de estimulo para a ação deste estudante se disciplinar e estudar, para que possa atender seu objetivo: conseguir uma vaga no vestibular. Esta ansiedade é extremamente importante para todo o período de preparação ao vestibular. É essa ansiedade que vai ajudar o estudante a se planejar, programar-se e estruturar uma forma de estudar para ser bem sucedido na prova.
Mas em muitos casos, o nível da ansiedade ultrapassa os limites tolerantes pelo organismo da pessoa, provocando um desequilíbrio interno com conseqüentes alterações funcionais. E a ansiedade que num primeiro momento foi tão construtiva passa a agir como um obstáculo para um bom desempenho do aluno. É neste ponto que ele precisa ficar atento, quando seu sistema orgânico e emocional deixou de estar em sintonia e o aluno se sente “enfraquecido” e sem forças para chegar ao seu objetivo final.
Certamente é melhor prevenir este alto nível ansiedade. A prevenção deve começar o mais cedo possível: Procurando estudar em um ambiente calmo e tranqüilo; seguir um horário para as principais refeições do dia; fazer uma boa alimentação calmamente e com qualidade; manter um repouso noturno; manter a ordem e limpeza pessoal e do ambiente; ter momentos de lazer; praticar algum esporte; ouvir musica; acreditar em si e no seu potencial.
A quantidade de matérias para estudar torna-se um fator de stress para muitos alunos? Como organizar-se para estudar, principalmente agora, em que ele tem de demonstrar muito mais sua capacidade de raciocínio e compreensão na execução da prova ?
Entendemos que o tempo do vestibulando é corrido, a quantidade de matérias é excessiva e o vestibular exige que os candidatos estudem muito todas as disciplinas. Para tanto, é importante ele se organizar no tempo, definindo as prioridades e um bom planejamento, de modo a não ficar restrito apenas a alguns pontos. Esforço e dedicação são fundamentais nesta jornada. As pesquisas apontam que estudar diariamente, freqüentar todas as aulas e não perder os simulados do cursinho são fundamentais para se chegar ao objetivo final.
Longas horas sem dormir aumentam os níveis de corticosterona, o considerado hormônio do estresse, no organismo. Como o estímular ao sono, do ponto de vista terapêutico, auxilia no tratamento da ansiedade e do stress?
Nada como uma boa noite de sono para recuperar grande parte do cansaço de um dia estressante. O sono é fundamental para se manter uma harmonia entre a mente e o corpo.
Em muitos alunos, um ponto crítico é a baixa autoconfiança ou a insegurança. Como começar a estimular a confiança? Como os pais podem auxiliar nesse processo?
Certamente a confiança em si mesmo e em seu potencial é fundamental tanto para a aprendizagem do conteúdo quanto para a execução da prova. A auto confiança pode estar prejudicada algumas vezes, por crenças e pensamentos distorcidos a respeito do vestibular e de seus próprios recursos de aprendizagem . Uma crença comum é que eles precisam saber “tudo” e isso não é verdadeiro. Principalmente porque não conseguimos absorver tudo em nossa mente; o que conseguimos sim é evocar um conhecimento e associar ao que já aprendeu em assuntos que num primeiro momento não são tão familiares. Mas para isto, o aluno precisa deixar a mente tranqüila e livre de conflitos.
Alguns alunos, muitas vezes, não ponderam, por exemplo, que não existe uma única faculdade boa; temos uma variedade de faculdades de qualidade no Brasil; ou não avaliam que o vestibular ocorre todos os anos; se não conseguir entrar em um ano, outras chances e oportunidades existirão.
Outras vezes o aluno se sente inseguro por medo de fracassar, associando ao fracasso uma diminuição de seu valor como pessoa.
A baixa auto confiança vem muitas vezes em conseqüência de uma reprovação anterior. Se encarar a reprovação do vestibular como algo terrível e sem possibilidade de reparação, talvez o que vai dominar a mente do vestibulando é o tédio, a raiva, o sentimento de incompetência, etc. Porém se ele conseguir encarar estas frustrações, levantando os pontos que o impediram de conseguir a vaga no vestibular, olhando e analisando a melhor forma de se programar para o próximo ano, quais os cuidados que deve tomar que não foram tomados neste ano, o que ele deixou de considerar que foi importante etc, e assim analisar uma melhor programação de estudo para o próximo vestibular, com certeza ele se sairá de forma muito mais amadurecida e confiante para o próximo ano e também para a vida. Não passar no vestibular amadurece muito o aluno. Ele passa a levantar os pontos fortes e fracos que serão importantes para a vida inteira dele. O vestibular é só o inicio dessa competição acirrada na vida profissional.
Os pais podem em muito contribuir, eles precisam principalmente acreditar na educação que eles deram para o filho e dar liberdade para ele experimentar o seu próprio jeito de ser, permitindo ao filho fazer suas próprias escolhas, tanto a nível de escolha profissional quanto ao planejamento dos estudos. Evitar fazer cobranças excessivas, criticas, humilhações e desvalorizações de qualquer natureza em relação a ele de modo a deixar o filho se sentir sem recursos na tomada decisões a respeito de sua própria vida. Podem também contribuir facilitando e dando condições ambientais de estudo e lazer para o filho.
Na reta final do vestibular, como lidar com aquela culpa de deixar de estudar para relaxar um pouco? Muitos alunos erram na dose e tornam esse rigor excessivo? Como se preparar de forma equilibrada?
É muito importante o aluno avaliar o que é bom para ele, não existe uma regra única; cada um nessa idade deve saber de seu limite de acordo com seu estado emocional no momento. Lembrando que todo excesso é prejudicial.
Algumas dicas são que na semana que antecede ao vestibular é importante o aluno iniciar uma pausa nos estudos e relaxar. Procurar ter uma semana tranqüila, sem baladas, alimentar-se bem e sem excessos, ouvir música, procurar estar em ambientes calmos e ter uma boa convivência familiar e com os amigos. Não encarar tudo como urgência e correr atrás do que ainda não estudou. Querer aprender matérias novas, de nada adiantará. No máximo revisar algumas poucas coisas.
Como orientar os pais a controlarem suas próprias ansiedades diante desse processo (não cobrar, não escolher a faculdade no lugar do filho, comparar o desempenho do filho ao de outras pessoas)?
Os pais precisam lembrar que o vestibular é do filho, bem como o futuro que ele escolher, a ele pertence. Muitos pais se confundem com a vida dos filhos. Criam expectativas de futuro para eles com intuito atender suas próprias necessidades que muitas vezes foram frustradas e mal resolvidas. Ou então eles vêm o sucesso do filho como prova de boa educação. Isto não implica que os pais devam ficar alienados desta situação. Pelo contrário, o filho se sente gratificado vendo que os pais estão acompanhando todo seu percurso, torcendo por ele, algumas vezes dando opiniões e sugerindo quando requisitados, desde que não venham em forma de cobranças. Tudo tem uma medida, o importante é deixar claro para o filho usar o máximo de seu potencial no momento da prova e caso não dê certo, existem outras faculdades, outros vestibulares, outros cursos e que esta não é a única oportunidade. Existem outras tantas e de qualidade.
No caso do filho não passar no exame, como proceder?
Todos nós sabemos que qualquer recomeço é doloroso, principalmente se tiver acompanhado de sentimento de inferioridade e incompetência. O que é preciso é principalmente ajudar o aluno a focar no seu objetivo. É o objetivo de conquistar algo que nos impulsiona para a ação. Traçar planos, projetos e se programar para o ano, vêm como conseqüência de um objetivo.
O que o aluno pode fazer para não entrar em pânico no início da prova? Existem algumas regrinhas que o aluno pode seguir para evitar o “branco”?
O inicio da prova dá sempre aquele “friozinho” inicial. A ansiedade vem com tudo. A tal ponto, muitas vezes, de “dar um branco” e o pensamento subseqüente de que não vai lembrar de nada. Se ele pensar que este “branco” vai perdurar durante toda a prova, com certeza a ansiedade ficará aumentada, bem como o nervosismo e todo o sistema fisiológico alterado, como os batimentos cardíacos e a respiração, e este “branco” se manterá. No entanto se pensar que este “branco” é momentâneo e que desaparecerá em alguns minutos e aguardar esses minutos, focando na própria respiração: inspirando e expirando lentamente; em pouco tempo o equilíbrio cerebral se restabelecerá e as associações em relação ao desenvolvimento da prova serão evocados naturalmente.
O LUTO NAS SEPARAÇÕES
Quem de nós não sofre diante de um término de um relacionamento de um namorado, marido ou de uma pessoa muito querida? Terminar um relacionamento é sempre muito difícil. Todos nós sentimos a dor de uma separação, porque nas ligações afetivas nas relações interpessoais, formamos vínculos que pensamos serem duradouros; eternizamos nossos laços amorosos e pensamos que eles farão parte de nossa vida para sempre , que nada irá nos separar.
E quando menos percebemos, esse vínculo foi interrompido e a dor desta separação parece se tornar insuportável, perdendo todo o significado de nossa existência. Tentamos desesperados fugir dessa dor, numa tentativa de não entrar em contato com esse sofrimento. No entanto, sofrer a dor inerente da separação é crucial para a boa resolução da perda e a pessoa poder novamente retomar sua vida funcional.
Porém, algumas vezes, esse sentimento pode se tornar tão profundo e conduzir a uma angústia de separação, que se manifesta, muitas vezes, por reações afetivas como sentimento de estar só e abandonado, triste, pesaroso, frustrado ou até mesmo desesperado. Outras vezes, estas reações podem ser menores, e surgirem como ansiedade ou até mesmo uma mágoa. Mas podem chegar a manifestações maiores, como a depressão, por exemplo.
A capacidade de conter esta angústia e a forma como tolerar os sentimentos advindos desta perda como, por exemplo, a esperança em reaver a pessoa perdida; a raiva por se sentir deixado; a culpa por tê-lo perdido e o desespero por se sentir só e abandonado, varia de cada pessoa. Viver esta perda e poder expressar tais sentimentos é uma das formas de lidar com a situação, pois quando a expressão do luto é permitida, ela possibilita uma despedida saudável da pessoa amada, conduzindo a uma gradual superação da dor e reorganização da vida.
A não resolução do processo de luto pode deixar marcas profundas, pois a angústia de separação é uma das mais freqüentes causas desencadeantes de perturbações patológicas.
Apesar da crise que provoca uma separação é importante salientar que desde o nosso nascimento, desenvolvemos uma capacidade inata de reagirmos às perdas e separações em nossas vidas, e que estamos constantemente em processos de despedidas, separações e perdas: Iniciamos nossa vida extra uterina perdendo o nosso conforto e segurança de um ventre materno; perdemos nosso lugar de filho único quando nasce o irmãozinho; perdemos o seio da mãe que nos amamenta; perdemos o colo materno quando deixamos nossa infância e seguimos para a adolescência e juventude. Ou seja, todo o processo de luto e separação em nossa evolução da vida, tem o único intuito: de nos conduzir a sermos nós mesmos e aprendermos a tolerar a solidão de sermos únicos, distintos dos outros e passarmos a sentir-nos responsáveis pela condução de nossa própria vida.
ANSIEDADE PRÉ-VESTIBULAR
Como controlar a ansiedade pré-prova e, depois de fazer esta prova, pré-resultado
É fundamental o aluno confiar no que ele já estudou e aprendeu. Existe uma tendência em sempre achar que faltam coisas para aprender. Com certeza é certo. Nunca saberemos de tudo. Mas isso não é o mais importante numa prova. O mais importante é você poder associar ao que já aprendeu em assuntos que num primeiro momento não são tão familiares. Mas para isto a mente precisa estar tranqüila e livre de nervosismo.
Sendo assim, é muito importante na semana que antecede ao vestibular o aluno já iniciar uma pausa nos estudos e se preparar emocionalmente. Procurar permanecer em ambiente calmo e tranqüilo; seguir um horário para as principais refeições do dia; fazer uma boa alimentação,leve e sempre rica em carboidratos e frutas, calmamente e com qualidade; manter um repouso noturno; manter a ordem e limpeza pessoal e do ambiente; ter momentos de lazer; fazer uma caminhada de preferência ao ar livre e praticar esportes e jogos não competitivos; ouvir música; procurar uma boa convivência familiar. Não encarar tudo como urgência; pensar positivo; acreditar em si e no seu potencial; fazer apenas o melhor que puder. Tudo isto vai permitir deixar a mente livre e tranqüila. No entanto, é natural certo nível de ansiedade, faz parte, deve encarar a ansiedade e o medo com naturalidade.
Nestas situações quando estamos nos sentindo ansiosos, tratamos nossos pensamentos como se fossem fatos de verdade, o que só faz aumentar ainda mais a ansiedade E assim nos sentimos ainda mais ansiosos. É importante modificar os pensamentos para reduzir a ansiedade. Temos como exemplo uma situação tão comum: “deu branco”. Se pensarmos que este “branco” vai perdurar durante toda a prova, com certeza a ansiedade ficará aumentada, bem como o nervosismo e todo o sistema fisiológico alterado como os batimentos cardíacos e a respiração e este “branco”se manterá. No entanto, se pensarmos que este branco é momentâneo, e que desaparecerá em alguns minutos e aguardar esses minutos focando na própria respiração, inspirando e expirando lentamente, em pouco tempo o equilíbrio cerebral se restabelecerá e suas associações em relação ao desenvolvimento da prova serão evocados naturalmente.
Depois de fazer a prova e aguardar o resultado é outro momento de angústia que se apodera do vestibulando. Mas sempre digo que na verdade é o melhor momento, o resultado não depende mais de você. Deve ser realista e lembrar o que tinha de ser feito já foi e agora não mais depende dele para este resultado. Quando não depende mais da gente não temos o que fazer naquele momento a não ser esperar , e tem coisa mais gostosa do que ter esperança? Curta este momento porque não sabemos se depois o que vai prevalecer vai ser uma alegria ou uma tristeza.
Caso a aprovação não aconteça, o que fazer para evitar a frustração
A frustração faz parte da vida. Quem de nós não fica frustrado diante de uma expectativa que foi negativa? No entanto, não é a frustração em si que é prejudicial, mas a forma como lidamos com ela.
Se encararmos a reprovação do vestibular como algo terrível e sem possibilidade de reparação, talvez o que vai dominar a mente do vestibulando é o tédio, a raiva, o sentimento de incompetência, etc.
Porém se ele conseguir encarar a frustração, levantando os pontos que o impediram de conseguir a vaga no vestibular, olhando e analisando a melhor forma de se programar para o próximo ano, quais os cuidados que deve tomar que não foram tomados neste ano, o que ele deixou de considerar que foi importante etc. e assim analisar uma melhor programação de estudo para o próximo vestibular, com certeza ele sairá de forma muito mais amadurecida para o próximo vestibular e também para a vida. Não passar no vestibular amadurece muito o aluno. Ele passa a levantar pontos fortes e fracos e que serão importantes para a vida inteira dele. O vestibular é só o inicio dessa competição acirrada na vida profissional.
A cobrança dos familiares e amigos pode piorar esta situação de frustração
Ser cobrado causa muita ansiedade. As pesquisas mostram que os principais motivos a desencadear ansiedade é o medo da reprovação e a decepção que podem causar a seus familiares e amigos no caso de fracassarem. O aluno começa a sentir que precisa passar no vestibular para agradar a mãe e ao pai. Muitas vezes associa até mesmo com afeto. Pensa que será mais amado e querido se conseguir atender ao pedido dos pais. Alguns ainda prometem presentear o filho, deixando-o ainda mais ansioso, porque assim vai ter de passar também para ganhar o premio. Existem algumas famílias que se posicionam desta maneira, que são muitas vezes expectativas e projetos de vida dos pais sobre a vida dos filhos tirando toda a autonomia dos filhos principalmente em relação às suas escolhas.
Porém isto não implica em dizermos que os pais não devam “cobrar” dos filhos. Pelo contrário, a cobrança naturalmente que faz parte. O filho se sente gratificado vendo que os pais estão acompanhando todo seu percurso, torcendo por ele, muitas vezes dando opiniões, sugerindo. Tudo tem uma medida, o importante é deixar claro para o filho usar o máximo de seu potencial no momento da prova e caso não dê certo, existem outras faculdades, outros vestibulares, outros cursos e que esta não é a única oportunidade. Existem outras tantas e também de boas qualidades.
O que é preciso ser feito pelo aluno que não conseguiu a aprovação, para que tenha animo de começar toda rotina de estudos novamente para o próximo ano?
Não é uma tarefa fácil. Todos nós sabemos que qualquer recomeço é doloroso, principalmente se tiver acompanhado de sentimento de inferioridade e incompetência.
O que é preciso é ajudar o aluno a focar no seu objetivo. É o objetivo de conquistar algo que nos impulsiona para a ação. Traçar planos, projetos e se programar para o ano, vêm como conseqüência de um objetivo. Precisamos ajudá-lo também a pensar a longo prazo, o que ele espera com essa carreira que escolheu? como se vê em 10 anos? seus desafios? suas expectativas? Etc. Tudo isso possibilitará ele se ver novamente enfronhado nos estudos.
A INVEJA
Quem de nós já não sentiu inveja? E quem de nós já admitiu ter inveja?
Eis aí uma grande dificuldade. A inveja é negada pela maioria das pessoas, porque ter inveja foi nos ensinado desde muito cedo que é um sentimento ruim, danoso e que faz mal ao invejoso. Crescemos acreditando que inveja é um dos sete grandes pecados capitais. Porque fica sempre a marca que ter inveja é desejar mal ao outro, torcer para que algo desse errado para o outro. Ficamos muito assustados com esses sentimentos e procuramos logo eliminá-los de nosso mundo fantasioso. No entanto, a inveja é considerada uma expressão de impulsos que opera desde o inicio da vida e tem base constitucional (Klein,1929).
Por que não podemos admitir nossas invejas?
Apesar da inveja ser uma emoção tão comum, ela é muito perturbadora e dolorosa; a maioria das pessoas fará qualquer coisa para não ter consciência dela. No entanto, mais danoso do que ter inveja é não entrar em contato com seu próprio sentimento invejoso. Temos tanto medo de sentir inveja que a deixamos escondida de nós mesmos, nos defendemos, mas o sentimento continua ali nos perturbando a cada vez que nos sentimos ameaçados, impedindo que fique de bem consigo próprio. Mascaramos o sentimento invejoso e muitas vezes fazemos uma defesa reativa para não nos depararmos com ela e assim ficamos ora elogiando em excesso o outro, ora submissos ao invejado, ora rivalizando com ele, ora denegrindo as boas qualidades do outro (o que provocará menos admiração e dependência), ora projetando a inveja no outro (de forma que a pessoa se vê como uma pessoa não invejosa e julgando-se cercada por pessoas invejosas e destrutivas) . Estas são apenas algumas manifestações inconscientes da inveja.
Portanto, a inveja faz parte de nossa evolução como seres humanos e tem suas raízes na infância. Invejamos desde muito pequenos a mãe com seu seio nutridor; Invejamos os pais por formarem um casal e o pequenino ser se sentindo excluído da relação deles e lutando ostensivamente para não entrar em contato com esse sentimento. Sentimos inveja do irmãozinho que fica atraindo mais atenção de nossos pais e imaginamos que nenhuma atenção vai sobrar para a gente; não queremos dividir o amor de nossos pais com mais ninguém, com medo de perder definitivamente o amor deles. Queremos ser tão grandes como nossos pais.
A medida que vamos nos desenvolvendo , o amor, a culpa e a gratidão pelos pais vai se consolidando e pouco a pouco todo esse sentimento invejoso vai se resolvendo e transformando em luta pela vida, luta pelas conquistas e passamos a explorar nossos potenciais, descobrindo nossos próprios talentos e criações e o sentimento invejoso vai se dissipando paralelamente.
Muitas vezes, para algumas pessoas, essa inveja infantil ainda prevalece e aparece de forma deformada e transferida para outras pessoas adultas de seu relacionamento e acaba podando esse ser criativo e talentoso que temos dentro da gente. Outras vezes fica tão aprisionado e paralisado no que o outro tem ou construiu que acaba se impossibilitando de olhar bem fundo para si e se questionar por que quer conquistar a mesma coisa que o outro? O que ele quer para si mesmo? Quais são mesmo seus reais desejos de sucesso? Como alcançar isto?
Poderemos pensar que para tais pessoas essa inveja ainda está nas raízes de sua história e que apenas transferiu para os adultos que hoje os rodeia. Como se esses adultos estivessem vestidos de mamãe, papai e irmãos para essa pessoa portadora da inveja, sem que ela o perceba.
Sendo assim o que se precisa resolver são esses sentimentos invejosos infantis que assim ficaram fixados, impedindo de emergir toda a criatividade e talentos próprios. Importante lembrar que cada um de nós vem ao mundo com um potencial, uns para uma coisa e outros para outras coisas. Quando nascemos temos um potencial quase ilimitado de talentos. Precisamos descobrir o que há dentro de cada um de nós. Para tanto, é muito importante entrar mais em contato consigo próprio no seu mundo interior, questionando-se sobre seus reais sentimentos, tornando-se analistas das emoções, olhando para os próprios defeitos, medos, franquezas e fragilidades.
Quando identificados e aceitos os sentimentos, as pessoas tem mais contato com o que sentem e usam menos defesas na relação com os outros, podendo emergir mais a criatividade .
TIRANDO AS MÁSCARAS
Transformar uma pessoa na protagonista de sua própria história libertá-la de sua passividade, de sua condição de mascarado social onde sua personagem principal não consegue surgir, é o que estaremos discutindo neste artigo.
Todos nós somos formados, na maioria das vezes, com a adoção de máscaras sociais. Colocamos máscaras para convivermos na sociedade e até conosco mesmas. Usamos máscaras porque não toleramos determinadas coisas em nós e por crenças que formamos sobre o mundo e idealizarmos um jeito de ser aceito pelo outro. A máscara de cada ser humano mata 90% das suas possibilidades de respostas criativas e mecanizam-no.
No dia-a-dia representamos os nossos papéis no teatro da vida. O nosso jeito de ser em casa não é o mesmo que somos no trabalho, com os filhos, como mãe, como pai, na igreja, com os amigos. Desempenhamos um papel diferente para cada situação da nossa vida. Denominamos isso de máscaras sociais, que são os diferentes papéis, os vários personagens do nosso cotidiano. Acabamos formando essas máscaras numa tentativa de satisfazer as expectativas do outro.
Agimos desta forma despercebidamente; desde bem pequenos numa tentativa de sobrevivência, buscamos uma melhor adaptação ao grupo que pertencemos. São formadas em decorrência da necessidade que temos de ser aceitos por esse grupo, ou para manter um bom relacionamento com quem convivemos.
Certamente, usar máscaras sociais é útil e faz parte do nosso dia a dia social. Podemos até dizer que ela é necessária para o nosso cotidiano. No entanto, numerosos problemas se desenvolvem em decorrência disso. Principalmente quando essas máscaras nos enrijecem e ficamos com a sensação de estarmos amarrados aos nossos papéis sociais, às expectativas que as outras pessoas têm sobre nós, ao controle que queremos exercer sobre os outros; podemos dizer que deixamos de usar nossa espontaneidade e de sermos nós mesmos. A imagem que o outro forma sobre nós torna-se mais importante que nossos sentimentos e emoções. Passamos mais tempo nos ocupando do que os outros esperam de nós e do que vão pensar a nosso respeito do que olharmos para nós e questionarmos nossos desejos, nossos sentimentos e pensamentos.
Para nos libertamos dessas mecanizações que formamos ao longo da vida, precisamos ousar sermos nós mesmos e isto implica em olharmos nossos defeitos, fragilidades, medos, fraquezas e sair de uma imagem idealizada que formamos de nós mesmos. Ficamos muitas vezes tão distantes de nós que nem sabemos do que gostamos, em um emaranhado de insatisfações.
Uma tentativa para se desmecanizar, tentar se libertar dessas máscaras é ter consciência das emoções e sentimentos quaisquer que sejam eles, e ousar expressá-los livremente. No entanto, é muito difícil sermos nós mesmos quando há anos não nos observamos e nem nos valorizamos. Por isso é necessário começar pela sua desmecanização, pelo seu amaciamento, para torná-lo capaz de assumir o personagem que você é. Questionamentos como Quem sou eu? O que desejo da vida? O que pretendo ser? O que quero construir? Quais são minhas metas de vida? Quais são meus sonhos? Como quero realizá-los? Quando fico triste? Como é ter raiva? O que estou sentindo? Que emoções tenho? Que sensações? É necessário que cada um volte a sentir certas emoções e sensações das quais já se desabituou.
Existe uma simultaneidade entre o sentir e o pensar. Precisamos nos tornar analistas dessas emoções e não só senti-la desenfreadamente. Este é um começo para a desmecanização de nosso ser e podermos usar nossa espontaneidade de forma mais livre e criativa.
OBESIDADE
Sabemos que a obesidade é um risco e que gera problemas na vida adulta; o numero de crianças gordas tem sido cada vez mais crescente; a chance de uma criança gorda se tornar um adulto obeso é enorme.
Sabemos ainda que os resultados são muito desestimulantes em relação ao tratamento da obesidade. Em vista disso há uma grande preocupação direcionada em prevenir a obesidade ainda na infância e adolescência. Uma criança que está com padrão de peso acima, o quanto antes a gente intervir menor a chance de acontecer a obesidade.
Existem inúmeros fatores psicológicos que estão intrínsecos ao desenvolvimento normal de uma criança. Sabemos que o Alimento e Afetos estão muito associados e aqui vamos privilegiar este aspecto, onde os ataques de comer podem representar as dificuldades numa comunicação familiar em relação principalmente à expressão de sentimentos e afetos.
O que se percebe hoje, com a evolução tecnológica, é que os indivíduos estão se isolando cada vez mais em seu próprio mundo. As relações familiares estão se tornando cada vez mais restritas; a comunicação entre os membros de uma família está muito reservada. Podemos dizer que o sistema familiar vem “adoecendo”. Está “obstruindo” a parte da personalidade de cada membro familiar que dá a ele o sentimento de “pertencer” a uma família e que o faça sentir que tem uma família. E isto vem gerando pessoas individualistas, fechadas em seu mundo interno, dificultando principalmente a expressão de sentimentos e afetos.
Um trabalho preventivo eficaz seria essas famílias interromperem esses padrões de comunicação “individualistas” permitindo e estimulando a expressão de experiências emocionais.
Para tanto, é importante que os pais fiquem a ATENTOS AOS COMPORTAMENTOS DE SEU FILHO. Procurando escutar, reconhecer e aceitar o sentimento da criança. Aceitá-la como ela é. Mostrar-se interessado pelo sentimento do filho; quando identificados e aceitos os sentimentos, as crianças tem mais contato com o que elas sentem. Dar ouvidos para o que a criança o adolescente dizem sentir, mesmo os sentimentos mais desagradáveis:
Como o sentimento de raiva, por exemplo. A raiva é um sentimento normal. Todos ficamos raiva. Habitualmente não se aceita que a criança expresse sua raiva. Muitas vezes ensinamos que não devemos ter raiva, dizemos que é feio, que é pecado. Mas a raiva faz parte de nosso desenvolvimento e o que não podemos fazer é agir de acordo com o nosso sentimento de raiva. Ou seja, não podemos bater em quem nos deu raiva, mas podemos falar sobre a raiva que sentimos; podemos expressar que ficamos com raiva. É muito importante ajudar a criança identificar esses sentimentos que ela percebe como tão desagradáveis. Para isto, é necessário permitir que a criança esteja consciente da raiva, que conheça a raiva. Esse é o primeiro passo para ajudar as crianças se sentirem fortes em vez de fugirem e evitarem seus sentimentos raivosos.
O segundo passo é ajudar essa criança, conversando com ela, sobre como lidar quando sentimos raiva. Ajudá-la a medir a situação, avaliar e fazer uma escolha de como expressar a raiva.
A criança precisa experimentar exprimir a sua raiva e seus ressentimentos. Quanto mais direta a criança conseguir ser com seus sentimentos de raiva mais ela se fortalecerá.
O mesmo para sentimentos de inveja e ciúmes que são sentimentos muito desagradáveis. Ninguém gosta de senti-los, mas eles sempre aparecem. Seja em relação ao irmãozinho que acabou de nascer, seja em relação a amiga que é muito mais popular. O importante é dar oportunidade para a criança poder expressar o que está sentindo, sem recriminá-la por isto, nem criticá-la, mas entendendo o sentimento dela.
De igual relevância é Permitir que a criança possa errar em suas experiências e ensiná-las que podem aprender com elas. Para isto é muito importante envolvê-las na resolução de problemas e tomada de decisões relativas à sua própria vida. Respeitando as suas necessidades, suas vontades e sugestões. Deixá-la experimentar por si mesma as coisas, é dar autonomia para o filho. Uma coisa errada pode ajudar a criança a descobrir algo que não sabia antes e isto faz uma grande diferença .
Tudo isto vai refletir na auto estima e auto confiança da criança/adolescente. Auto estima refere-se à forma como percebemos e valorizamos a nós mesmos. Ninguém nasce com sentimentos ruins em relação a si mesmo. Esses sentimentos são desenvolvidos ao longo de sua história de vida. A forma como percebemos e valorizamos a nós mesmos determina em grande medida a forma como nos comportamos, como lidamos com a nossa vida e como nos conduzimos.
As crianças manifestam sua baixa auto estima de muitas maneiras diferentes, uma delas é no comer demais.
AUTO-ESTIMA É FUNDAMENTAL PARA UM BOM RELACIONAMENTO
Preservar a auto-estima implica em gostar de si próprio, ter confiança em si mesmo, acreditar em sua capacidade. É a chave para se ter uma vida feliz e com sucesso nos relacionamentos de qualquer natureza. A genuína auto-estima torna a pessoa menos vulnerável a julgamentos externos. Sem auto-estima, tornamo-nos inseguros e vulneráveis a diversos distúrbios de personalidade.
Antigamente pensava-se que o grau de auto-estima de uma pessoa era determinado na infância e se mantinha inalterado no decorrer da vida. Porém hoje existem estudos que apontam a possibilidade de se desenvolvê-la em qualquer idade.
Uma das bases da baixa auto-estima se encontra nas crenças que formamos ao longo de nossa história que muitas vezes nos conduzem para um lado negativo da vida, sentindo as situações de maneiras distorcidas. Tais distorções são decorrentes de nossos pensamentos e atitudes. Em geral, se uma pessoa tem uma visão distorcida e negativa de si, terá auto-estima baixa.
Existem teorias que apontam que as emoções e comportamentos das pessoas são influenciados a partir de como elas interpretam as situações da vida, que são construções que a pessoa fez através de suas experiências na sua história de vida. Muitas vezes suas construções estão permeadas por um excesso de preocupação em relação ao julgamento dos outros. Este medo do julgamento alheio pode minar a auto-estima de uma pessoa.
Alguns sintomas de baixa auto-estima e falta de autoconfiança:
Necessidade excessiva em agradar as pessoas
Dificuldades em dizer não
Necessidade de chamar a atenção
Dificuldades em aceitar elogios
Culpar os outros pelos próprios erros
Não aceitar criticas
CIÚMES
O que nos leva a sentir ciúmes e como lidar com esse sentimento
Numa relação amorosa muitas vezes nos sentimos inseguros e ficamos com medo de perder a pessoa amada para uma outra pessoa. Sentir ciúmes faz parte de um relacionamento, todos nós alguma vez já o sentimos. No entanto, é importante dosar esse sentimento para que ele não passe a ser maléfico para o relacionamento.
Muitas vezes sentimos ciúmes por insegurança e baixa auto-estima. O ciúme está relacionado com a falta de confiança (no outro ou em si próprio) . Quando não estamos nos sentindo capazes de sermos amados por um outro. Não acreditar em si mesmo e se sentir sempre inferior.
Uma exacerbação do ciúme pode prejudicar a relação, por acabar sobrecarregando o outro, tirando-lhe a liberdade, a privacidade e a individualidade do parceiro. É importante não confundir amor com posse, a ponto de considerá-lo como alguém que lhes pertence, como se ele fosse um objeto seu. O sentimento de posse pode levar a destruição da relação.
Outras vezes o ciúme pode ser decorrente de uma causa externa, ou seja, o parceiro deu motivos que levam a insegurança, seja por infidelidade ou por atitudes provocadoras de insegurança e esta situação não ficou bem resolvida no casal.
Seja qual for a fonte dos ciúmes, é importante o casal estabelecer um diálogo, falar abertamente de seus sentimentos, refletindo e buscando um melhor entendimento sobre essas fantasias de ciúmes que estão permeando o relacionamento. Muitas vezes o fato de falar de suas fantasias, medos e preocupações ajudam a amenizar esse sentimento. Porém com cuidado para não entrar numa rotina de repetição de seus temores ciumentos. Uma vez falado, encerre o problema e tentem buscar uma relação com mais confiança.
Nos casos extremos onde o diálogo não está resolvendo e está comprometendo o bom relacionamento do casal é importante buscar ajuda psicológica para entender as razões de tanto ciúmes e tratar das dificuldades inerentes.
ATITUDES
Respeitando a individualidade sua e do outro
Uma discussão, seja em qualquer relacionamento, é básica para uma boa convivência. No entanto, quando falamos em discutir, referimos a expor pontos de vista, supostas verdades e interesses pessoais, porém respeitando a individualidade do outro.
O diálogo estimula nossas reflexões sobre questões diversas e é muitas vezes trocando idéia com o outro que formamos uma opinião mais amadurecida. Outras vezes achamos que temos uma opinião já cristalizada acreditando que não se pode mudar de idéia, não nos permitimos escutar novos argumentos que na verdade podem se somar a nossa opinião e enriquecer o nosso jeito de viver e ser.
Algumas pessoas tentam impor suas opiniões de maneira agressiva, esquecendo os princípios do respeito pela diferença e individualidade do outro. Saber ouvir os argumentos do outro sem comentários que possam desqualificá-lo é essencial para um bom desfecho da discussão.
É importante evitar competições numa discussão, não se trata de decidir quem tem razão mas o que tais argumentos podem fortalecer nossos pontos de vista ou não. Aprendemos muito com o outro e precisamos ter humildade para acatar estas diferenças e pensar sobre elas.
Precisamos ser tolerantes para com as diferenças de opinião.
LISTA DOS DIREITOS HUMANOS BÁSICOS
O direito de ser tratado com respeito e dignidade.
O direito de negar pedidos sem ter que sentir-se culpado ou egoísta.
O direito de experimentar e expressar seus próprios sentimentos.
O direito de parar e pensar antes de agir.
O direito de mudar de opinião.
O direito de pedir o que quiser (entendendo que a outra pessoa tem o direito de dizer não).
O direito de fazer menos do que é humanamente capaz de fazer.
O direito de ser independente.
O direito de decidir o que fazer com seu próprio corpo, tempo e propriedade.
O direito de pedir informação.
O direito de cometer erros – e ser responsável por eles.
O direito de sentir-se bem consigo mesmo.
O direito de ter suas próprias necessidades e que essas sejam tão importantes quanto as dos demais. Além disso, temos o direito de pedir (não exigir) aos demais que correspondam as nossas necessidades e de decidir se satisfazemos as dos demais.
O direito de ter opiniões e expressá-las.
O direito de decidir se satisfaz as expectativas de outras pessoas ou se comporta-se seguindo seus interesses – sempre que não viole os direitos dos demais.
O direito de falar sobre o problema com a pessoa envolvida e esclarecê-lo, em caso limite em que os direitos não estão totalmente claros.
O direito de obter aquilo que paga.
O direito de ter direito e defendê-los.
O direito de ser escutado e levado a sério.
O direito de estar só quando assim o desejar.
O direito de fazer qualquer coisa enquanto não viole os direitos de outra pessoa.
Baseado principalmente em The Assertive option: “Your rights and responsabilities por P.Jakubowski e A.Lange, 1978.
DESENVOLVENDO UMA CONVERSAÇÃO
Com a evolução tecnológica, os indivíduos estão se isolando cada vez mais em seu próprio mundo. Os relacionamentos estão sendo substituídos pelas trocas virtuais onde a presença física não é necessária para o contato com o outro. E isto vem gerando indivíduos com dificuldades em interagir com o outro, sejam com os familiares, vizinhos e amigos, tornando-se muitas vezes solitários.
Em vista disso, a cada dia mais, existe uma preocupação muito direcionada no desenvolvimento de habilidades nas relações humanas, no convívio com o outro, seja no trabalho ou na vida pessoal.
O propósito deste artigo é descrever algumas dicas que podem ajudar estas pessoas a ampliar os relacionamentos a partir de um diálogo, que é o inicio de uma relação. Um bom diálogo é uma forma eficaz de reforçar os laços e entrar em contato com o que existe no outro. Dialogar, é antes de tudo, saber ouvir.
a) Iniciando uma conversação
Deve ser positivo, direto,utilizar frases iniciais curtas, fazer perguntas abertas, sorrir e olhar as pessoas. Fazer uma pergunta ou comentário sobre a situação ou uma atividade nas quais estão envolvidos, cumprimentar os demais sobre algum aspecto de seu comportamento, aparência ou algum outro atributo , fazer uma observação ou pergunta casuais a alguém sobre o que está fazendo, pedir ajuda, opinião ou informação a outra pessoa, oferecer algo a alguém, saudar a outra pessoa e apresentar-se.
b) Sabendo ouvir
Saber ouvir é mostrar interesse pelo que o outro está comunicando. Ser ouvido e entendido é um dos maiores desejos do ser humano.
A escuta deve ser ativa - é quando uma pessoa manifesta certos comportamentos que indicam que está prestando atenção à outra pessoa. Por exemplo: o assentimento de cabeça, sorrir, etc. Pode também consistir de mensagens curtas e ocasionais, ou exclamações do tipo: an-han, sim, que dá a entender a quem fala se estão prestando atenção nele e o animam também a continuar falando. Esta é uma maneira excelente de incentivarem os demais a falarem. Esta é chamada escuta ativa, que incentiva o outro a continuar falando.
Na escuta passiva a pessoa não mostra sinais externos que indiquem que está escutando.
c) Procedimentos para manter conversações
Perguntas fechadas – Perguntas que começam por onde, quando e quem são normalmente fechadas e também aquelas que podem ser respondidas por sim ou não. Estes tipos de perguntas tem geralmente uma resposta curta. Perguntas abertas – perguntas que começam com o que, como e por que . que podem ser contestadas de diversas maneiras, deixando a resposta aberta a quem responde. Livre informação – as pessoas compartilham parte de si mesmas complementando uma pergunta do outro. Significa complementar a resposta com informações livres que dizem respeito à pergunta. Auto revelação – Revela informações pessoais sobre si mesmo. Uma relação pode desenvolver-se mais facilmente quando as pessoas envolvidas compartilham algo sobre si mesmas.
Finalizando, convém salientar que em um diálogo bem sucedido, é importante focar na conversa – Concentrar na conversa. Respeitar o pensamento do outro. Estimular o outro a falar sobre seus assuntos prediletos, fazendo-lhes perguntas pertinentes, que completem a história dele e não ficar interrompendo para dizer coisas de você ou terminando frases por ele. Não interromper uma conversa, deixar fluir mostrando sinais de interesse.Procurar ser tolerante com as pessoas. Não ficar corrigindo o outro como se o seu pensamento fosse o único verdadeiro. Nem disputar quem está certo, lembrar que cada um tem a sua verdade. Tentar usar de mais flexibilidade em vez de rigidez nas conversações.
Baseadas em V.C.Caballo, Manual de Técnicas de Terapia e Modificación de Conducta.
TRÊS ESTILOS DE RESPOSTA
NÃO ASSERTIVO Comportamento não verbal:
Olhos que fitam para baixo; voz baixa; vacilações; gestos desvalidos; negando importância à situação; postura abatida; evitando situação; retorce as mãos; tom vacilante ou de queixa; risadinhas falsas;
Comportamento verbal
Usa expressões como: talvez; suponho; me pergunto se poderíamos; se importaria muito; somente; não crê que; realmente não é importante; não se incomode.
Conseqüências para a pessoa
Conflitos interpessoais; depressão; desamparo; imagem pobre de si mesmo; maltrata-se; perde oportunidades; tensão; sente-se sem controle; solidão; sente-se enfadado;
ASSERTIVO Comportamento não verbal:
Contato ocular direto; nível de voz natural de conversa; fala fluente pausada; gestos firmes; postura ereta; mensagens na primeira pessoa; verbalizações positivas; respostas diretas à situação; mãos soltas.
Comportamento verbal
Usa expressões como: penso; sinto; quero; façamos; como podemos resolver isto? o que pensa? o que você acha?
Conseqüências para a pessoa
Resolve os problemas; sente-se à vontade com os demais; sente-se satisfeito; sente-se à vontade consigo mesmo; relaxado; sente-se com controle; acredita, cria e promove a maioria das oportunidades; gosta de si mesmo e dos demais; é bom para si mesmo e para os demais.
AGRESSIVO Comportamento não verbal
Olhar fixo; voz alta; fala fluente porém rápida; enfrentamento; gestos de ameaça; postura intimidativa; mensagens impessoais.
Comportamento verbal
Usa expressões como ordem: Faria melhor em; faça! deve estar brincando! se não o fizer..; você não sabe? deveria saber; mal;
Conseqüências para a pessoa
Conflitos interpessoais;culpa; frustração; imagem pobre sobre si mesmo; prejudica os demais; perde oportunidades; tensão; sente-se sem controle; solidão; não gosta dos demais; sente-se enfadado.
Baseado em Vicente E.Caballo,Manual de Técnicas y Modificación de Conducta(1996).
TRAIÇÃO NO CASAMENTO
Entrevista para a Rede de TV Canal da Gente, no quadro 'Encontro da Gente' sobre traição no casamento, no dia 20/09/2006.
- TRAIÇÃO
Falar em traição implica em falarmos de uma confiança que foi rompida, colocando em jogo valores fundamentais como confiança, respeito e sinceridade. É uma das principais causas do fim do relacionamento.
Vamos aqui discutir algumas questões relacionadas ao amor e que acabam por dificultar os relacionamentos de casais.
O que nós aprendemos é que no amor existem alguns clichês como: ... “Viveram felizes para sempre...” “... Vamos envelhecer juntos apaixonados como agora.”... ”Ele nunca vai me decepcionar...” ..Ela sempre será a mulher dos meus sonhos...” “Ele(ela) vai suprir todas as minhas necessidades da vida...” que são expectativas muito intensas que se forma sobre um relacionamento, onde os conflitos parecem não existir; é uma ilusão de um verdadeiro conto de fadas.
Crescemos aprendendo com nossos pais que o amor é incondicional. Nossos pais nos amam aconteça o que acontecer, estarão sempre do nosso lado. Quando formamos um casal, transferimos essa idéia para nosso parceiro e acreditamos que ele também nos amará incondicionalmente. Mas não é bem assim, amor de casal acaba se não for cuidado, se não fizer um investimento no relacionamento a base de muito diálogo, cumplicidade e doação ao outro, ele acaba sim; o amor vai murchando, fica minguado, seco e morre.
Tem pessoas que pensam que por estarem juntos há tempo, não precisam fazer mais nada para manutenção desse amor. No entanto, o amor precisa estar sempre sendo tratado, olhado, como se fosse ainda na fase de conquistas, porque na verdade precisamos conquistar nosso parceiro diariamente.
A traição muitas vezes acontece por esta idealização de um relacionamento cheio de expectativas em relação ao outro e quando se depara com a realidade, não agüenta as frustrações, diferenças e conflitos inerentes de uma relação. E acaba por sair em busca de preencher isto, de algo que o parceiro não lhe oferece mais: - satisfação dessa fantasia de uma relação perfeita, permeada de uma falsa ilusão de felicidade.
Hoje está se banalizando muito os relacionamentos e os casais acaba por não ter tempo de superar as fases difíceis da relação e muitas vezes são levados por tentar resolvê-la na busca de outro parceiro.
Porém isto acontece principalmente quando não está existindo uma cumplicidade na relação.
Muitas pessoas acreditam que dialogar é cobrar do outro o que não está bom e se esquece de olhar para a relação como um todo, revendo o jeito de cada um ser. Procurar em si próprio qual a sua parcela de contribuição para que este relacionamento não esteja harmonioso representa um amadurecimento na relação. Não estou aqui querendo dizer que devemos esquecer nossa individualidade e vivermos somente o desejo do parceiro. Não é bem assim, estou sugerindo que o amor seja tratado, mas levando-se sempre em conta as diferenças individuais e conflitos, porém conduzidos para um diálogo e para uma cumplicidade. Os casais não precisam pensar igual ao outro, mas é importante que cada um tenha espaço para dizer e mostrar o seu jeito de ser e pensar.
- SE HOUVER TRAIÇÃO, COMO SUPERAR ISTO?
Se houve traição e quem traiu quer genuinamente reparar, consertar, conversar sobre a relação, é muito importante que se possa considerar isto e estabelecer um diálogo sobre as dificuldades que eles vêm enfrentando nessa vida a dois. Não estou com isso sugerindo a banalização da traição, pelo contrário, estou propondo que se possa encarar esta suposta “crise” de casal, como algo que quando bem resolvido pode levar a um maior amadurecimento da vida conjugal.
O que se percebe na clinica é que cada um dá um peso diferente para a resolução da traição. Isto tem a ver com a história de vida dela. Se for uma pessoa mais segura e confiante em si, ela não leva a traição para o seu lado pessoal. Ela vai sofrer, ter dor, mas vai ter um olhar mais para a situação do que levando a culpa para si ou para o outro.
No entanto, quem se desvaloriza, tem baixa auto-estima, quando acontece uma traição, a tendência é trazer a culpa para si própria, julgando-se como má companheira, questionando-se sobre o que deixou a desejar, ou seja, ela não leva a questão da traição para o lado da relação. Na verdade o que precisa ver é o que não anda bem no relacionamento. Nesse caso muitas vezes a pessoa traída até diz que perdoa o parceiro, mas fica guardando um ressentimento e nunca esquece esta situação e acaba revertendo em hostilidade para com o parceiro. Tornando-se muitas vezes agressiva e intolerante.
Outras vezes a pessoa traída se sente tão ressentida e se recusa terminantemente rever a situação mesmo se quem traiu se encontra arrependido, sofrido e com promessas de reconciliação. Sente-se tão dominada pelo ódio e raiva do parceiro que fica cego para quaisquer outras possibilidades. Nestes casos, sugerimos sempre que se deixe passar um tempinho antes que o casal tome qualquer decisão de finalizar o relacionamento. Às vezes este tempo ajuda a pessoa traída se possibilitar a rever novamente essa historia.
Se a pessoa traída tiver vivido uma história de caso de traição em família, com mãe e pai, existe uma tendência também a enfrentar a traição com mais dificuldade e peso. Nessas pessoas fica sempre a crença de que todo mundo quer feri-la. Sente-se perseguida nos relacionamentos amorosos.
É muito importante o casal considerar que as uniões se fortalecem muitas vezes são nas crises. Porque não é fácil uma vida conjugal. É muitas vezes estressante conviver a dois, que vieram de educação diferente, com inúmeras diferenças individuais e que vão tomar varias decisões juntos, formar uma historia juntos.
Se houve traição e se isto desencadeou uma revisão nos seus conceitos de vida, querer rever a história do casal, de dialogar e se proporem a caminharem juntos, isto é um grande amadurecimento e daí poderá perguntar : - por que não perdoar? O perdão faz parte da natureza humana. O perdão vai ajudá-los a vencer esta fase. Agora se perdoar, após passada esta etapa de reconciliação, é melhor deixar esta historia como passado, não ficar remoendo o erro, não guardar ressentimento e jogando na cara do outro este erro; não ficar usando a traição como arma para as discussões posteriores, porque isto pode desgastar mais ainda a relação.
Claro que há um processo para o esquecimento. Precisa de um tempo para novamente adquirir confiança e conduzir a uma relação mais harmoniosa e segura do amor do outro.
Mas se mantiver intensificado o ressentimento e a raiva se mantém mesmo depois de passado esse tempo de readaptação, é indicado um acompanhamento para a pessoa ou mesmo ao casal, porque isto acaba destruindo a relação.
- COMO LIDAR COM OS FILHOS NESTA FASE?
É importante salientar que os filhos devem ficar isentos desses desentendimentos.
Os pais não devem fazer dos filhos seus confidentes. Claro que os filhos vão perceber algum clima de insegurança no ar, mas se limitar a dizer para eles que papai e mamãe estão passando por problemas, coisas de adultos, que eles não se preocupem, porque com ele esta tudo bem, que as discussões deles não têm nada a ver com ele. Deixar claro que estão tentando resolver, mas que muitas vezes é assim precisam ter algumas discussões para poderem chegar num acordo.
Deve-se tomar muito cuidado porque existe uma tendência dos filhos, numa determinada idade, sentirem-se culpados pelos desentendimentos dos pais, eles acreditam que é por causa deles que os pais estão brigando.
MATERNIDADE E PATERNIDADE
Este artigo tem o objetivo de apresentar o caminho que se percorre nesta árdua tarefa de “ser pais”.
Dizemos árdua no sentido de que é encarar um mundo completamente novo onde o lugar que ocupamos ate então era somente “ser filho”. Tudo parece mais simples quando somos filhos e quem se preocupou com nosso desenvolvimento, educação e bem estar foram nossos pais.
- PENSANDO EM SER PAIS
Naturalmente não se consegue viver em lua de mel eternamente!
Quando falamos em lua de mel falamos em dois, uma dupla que se apaixonou e viveu loucamente uma relação e, com o passar dos tempos percebem que só dois não estão dando conta de uma união tão intensa.
Como tudo na vida, passamos por fases. A natureza humana aponta que a inclusão de um terceiro vem como para sedimentar esta completude da relação. Já está na hora de se soltar um pouco um do outro e permitir que um pequenino venha fazer parte deste rol de amor.
Assim falando parece um conto de fadas e que tudo está marcado para ter um final feliz. Não é bem assim! Porque aí começam os conflitos inerentes de uma relação a três.
Completude de um amor não significa não entrar em conflitos. Pelo contrario, é através dos conflitos que o casal vai se unir mais e buscar juntos solucionar uma questão tão polêmica: como irei educar meu filho? Vem a mãe que diz que é de um jeito e o pai que diz que ele acha que tem de ser de outro. Como vamos fazer?
E está aí o início de uma discussão que vai durar para sempre, se não usarmos o bom senso e a intuição. Porque nós nunca saberemos ao certo qual o caminho ideal para se correr. Nós nunca fomos pais antes e não está escrito em nenhum lugar, não existe um manual que mostre qual o caminho seguir, e teremos de descobrir a melhor forma de lidar com a situação.
Dizemos que o melhor manual somos nós próprios, com as nossas experiências anteriores com os nossos pais e com a história de vida que cada um trouxe para a sua vida e para vivê-la agora a três, quatro... Nós nascemos a partir de uma história e, se chegamos onde estamos e pudemos constituir uma família, quer dizer que nossos pais acertaram em grande parte aquilo que eles nos passaram, senão nós não estaríamos em condições de repetir esse processo.
Sendo assim, tragam um pouco para o momento presente, lembranças das vivências das relações com seus pais, e façam uma triagem daquilo que acharam que foi e não foi bom. Parece simples não e? É provável que na sua adolescência, muita crítica você fazia aos seus pais. Os pais eram tidos pela maioria das vezes como monstros por seus filhos adolescentes. Só mais tarde você percebe que os pais fizeram o que puderam, dado o que receberam como educação; começam a perceber que os pais não foram tão monstros quanto achavam e que eles são até legais, e agora se tornaram amigos e confiantes neles. Mas isso só vamos perceber quando adultos, na maioria das vezes. Percebemos que os pais fizeram o que puderam e, finalmente não temos mais nada ou quase nada contra nossa educação. Ou que em determinados aspectos faríamos diferente com nossos filhos.
Nossos pais também não sabiam ser pais, aprenderam com os filhos, aprenderam sendo pais. Agora vamos trazer a tona tudo isso que somos e aprendemos de nossos pais, fazendo alguns ajustes que combinam com seu jeito de ser e com suas expectativas. E assim vai se formando uma descoberta desse mundo novo “ser pai”. Lembrando sempre que educação se faz principalmente por intuição.
No entanto se você percebe que suas experiências de vida estão dificultando sua intuição materna e paterna e estão entrando em conflito na sua posição de mãe e pai, na educação de seu filho, procurem ajuda profissional. Para isso existem profissionais da área muitíssimos habilitados não para ensiná-lo a serem pais, mas para ajudá-los a entenderem esse seu mundo emocional e permitir dar vazão a todo seu potencial de pai e mãe que se apoderam de vocês.
- A CHEGADA DO BEBÊ
A chegada de um bebê representa uma transformação total no casal no sentido de que passa a existir a partir daí um terceiro, formando assim um triangulo de amor. Todas as atenções e cuidados são agora dirigidos para este pequeno ser, indefeso e fruto da relação amorosa. Isto em alguns casais pode gerar alguns conflitos inconscientes principalmente por esta quebra de atenção e cuidados um com o outro. Principalmente o pai pode se sentir, em alguns momentos, excluído dessa ligação tão intensa formada pela mãe e pelo bebê.
É importante que o casal possa estabelecer muito diálogo em relação aos seus sentimentos e se apropriar deles sem sentirem-se culpados. Sentimentos de ciúmes quando não identificados podem aparecer de maneira encoberta por fugas principalmente paternas. Fugas essas que podem se transformar em saídas noturnas freqüentes com os amigos, esticar horário de trabalho, ficar hostil e agressivo.
Apesar da evolução dos tempos e da conquista cada vez maior da igualdade entre os sexos, é a mãe que desenvolve o que chamaremos aqui de “preocupação materna”, que é um estado de sensibilidade maior, que as capacita a se adaptar delicada e sensivelmente às necessidades iniciais do bebê (Winnicott 1993). Isto possibilita à mãe sentir as necessidades de seu pequenino e satisfazer seus anseios iniciais. Porém isto não significa que deixou de amar seu parceiro. Mas num primeiro momento a dedicação ao bebê “suga” a maior parte do tempo da mãe.
Quando a mãe fornece ao bebê essa adaptação “suficientemente boa” à sua necessidade, tudo transcorre com maior facilidade, e é menos perturbador nestes primeiros meses.
É muito importante a mãe introduzir o pai nesta relação. Permitir e dividir com ele seus anseios e cuidados com o bebê.
Pouco a pouco, à medida que os meses vão se passando, a mãe vai se recuperando desse estado tão sensível e ao mesmo tempo o bebê já não exige cuidados tão intensos. O bebê já consegue esperar um pouco mais, está mais tolerante a alguma demora em ser atendido, e o casal já pode novamente retomar seu lugar de receber e dar cuidados um para o outro, e também para o bebê.
Este triangulo amoroso está formado e o bebê agora já está ocupando um lugar de destaque no seio familiar. A readaptação do casal se forma ao longo destes meses e todos os planos agora envolvem os três.
Tentar agora separar ao menos alguns momentos só para os dois e viverem um pouco o namoro do casal.
Normalmente, após a vinda do bebê, a dedicação a ele se torna tão intensa a ponto dos pais perderem seu lugar de casal, comprometendo o casamento, ao longo do tempo.
Não serão mais como recém casados, mas sim um casal muito mais amadurecido, e que estão agora podendo compartilhar o amor com mais um sem perder de vista a dupla marido e mulher. Ir a um cinema juntos, tomar um “drink” fora de casa, dialogar ou realizar algum programinha que envolva os dois é fundamental para manter a chama do amor. Isto permite ao casal ficar mais fortalecido e falar uma linguagem mais coerente com seu filho.
O filho terá de ser colocado em primeiro lugar em muitas decisões, ate mesmo com sacrifício dos pais. Mas mesmo assim o casal não pode perder este lugar na relação conjugal.
É muito comum os pais esquecerem-se de si e passarem a dedicar todo o tempo disponível para seu filho.
Isto é compreensível até pela correria do dia a dia, onde marido e mulher dividem o tempo tanto com o trabalho fora, como das tarefas caseiras. E quando chegam em casa encontram o filho que passou o dia todo, ou com babá, ou na escolinha, carente de cuidados da mãe e do pai. Não tem como não lhe dar atenção e cuidados. E isso é importante que seja feito, e quando vão dormir já se encontram exaustos e não sobra a mínima vontade de dedicarem-se.
Por isso é tão necessário que o casal reserve, como um compromisso mesmo agendado, um programinha a dois a cada semana ou quinzena, à medida que for possível e que o tempo permitir.
Não existe uma regra definida para essas adaptações; cada casal formará a sua. O importante é o casal não perder de vista que eles precisam também de cuidados e dedicação entre si mesmo em pequenas doses, porque é isto que manterá uma boa relação conjugal e permitirá uma vida familiar mais harmoniosa, e o filho saberá melhor o lugar que ele ocupa nesta família.
- SER PAIS E CONFLITOS SUBJACENTES
Quantos momentos eu sentia que “odiava” meus pais e achava que eles eram uns “caretas”; e quantas vezes eu os achava os piores pais do mundo e pensava que não gostava mais deles; tudo que eles diziam eu era do contra. Será que vai acontecer a mesma coisa comigo? São dúvidas e perguntas que acompanham a maioria dos pretendentes a pais. E assim muitas vezes decidem que querem ser um pai bonzinho e que seu filho não sentirá nada disso, que o amará incondicionalmente.
É muitas vezes pensando nisto que muitos pais acabam se conturbando nessa sua dúvida em relação a serem pais. Muitos dizem, quero ser um pai moderno, meu filho nunca me chamará de careta, e vai sempre se orgulhar de mim por eu ser bem atualizado em relação à vida. Vou fazer tudo para meu filho. Nada lhe faltará.
Fica assim marcado o inicio de uma educação fadada a ter um final catastrófico ou pelo menos conturbada.
Importante salientar que este mal estar que sentimos em relação a nossos pais no passado, essa necessidade de discordarmos em relação ao que eles nos ensinavam, ter pensamentos ruins sobre eles, tudo isso, faz parte do desenvolvimento humano. Nós muitas vezes precisamos disso para nos auto afirmar. Uns precisam mais, outros menos, mas é certo que a grande maioria para encontrar um lugar no mundo, se posicionar em relação a uma identidade, precisou muitas vezes achar os pais os piores pais do mundo; precisou achar que o pai do amigo era um cara bem mais legal e pensava ainda, como seria bom se tivesse uma mãe como aquela da minha melhor amiga.
São fantasias que normalmente criamos para enfrentar esse difícil mundo quando estamos crescendo e que temos que ter uma posição em relação à vida. Tudo o que meus pais falam eu discordo porque, se eu sempre concordar, esse não vai ser eu, será o meu pai. Eu preciso descobrir uma posição de pensamento para mim neste mundo. É uma verdadeira confusão de idéias para eu encontrar a minha própria idéia; eu preciso muito achar que a idéia de meus pais é a pior de todas para eu poder construir minhas opiniões.
Dizemos que esse sentimento de “depreciar” os pais faz parte de um desenvolvimento saudável na educação do filho. Não é necessário sentir tanta culpa em relação a isto porque você precisou deste seu sentimento para se estabelecer como um “ser”, uma pessoa com autonomia, independência e com identidade própria. Muitas pessoas carregam esta culpa nas costas ate o final de suas vidas por terem se sentido tão agressivos com seus pais e por terem divergido tanto das opiniões deles.
Mas provavelmente se você não fosse tão intenso nesse sentido é possível que você seria mais submisso em relação às questões da vida. Portanto, libere-se dessa culpa de ter sido tão contra seus pais e faca as pazes consigo mesmo.
No entanto, à medida que o tempo foi passando, fomos ultrapassando essa fase mais “negra” de nosso desenvolvimento e já encontramos um lugar no mundo e daí fica mais fácil discutir as opiniões de nossos pais, ate aceitando-as como verdadeiras, sem ter de disputar tanto. Alguns entram nessa fase mais facilmente, outros a duras penas. Porque vai depender muito de como isso foi conduzido ao longo de sua historia. Alguns pais muitas vezes entram em verdadeira disputa com seus filhos, não aceitando que o filho possa ter uma opinião divergente. Ou não se permitindo escutar o que seu filho tem a dizer.
- MEDO DE NÃO CONSEGUIR AMAR MEU BEBÊ
Alguns casais pretendentes a pais muitas vezes sentem muito medo de não conseguir amar o bebê. Mesmo depois que ele nasce, eles tem essa sensação de que o amor não parece assim tão grandioso, e sentem medo de estar rejeitando seu pequenino.
É natural que no inicio do nascimento do bebê, muitas coisas mudam na vida de um casal. Aquela tranqüilidade, noites de sono dormidas intensamente, saídas noturnas sem preocupação com horários, programas com amigos ate altas horas, baladas, etc.etc...
Vai naturalmente ocorrer uma transformação.
Porque agora existe um bebê que precisa de cuidados e atenção e também de horários. Ou seja, o bebê acaba sendo um impedimento para muitas coisas que são prazerosas, e agora praticamente tudo gira em torno dele.
É natural que todas esta aceitação vai ocorrendo pouco a pouco. Precisa existir um tempo de assimilação dessa nova rotina. Como qualquer mudança na vida, ter um bebê também requer que se acostume com a rotina, para que haja uma acomodação.
E isto não vem de imediato. Vem crescendo pouco a pouco. Até porque um bebê recém nascido ocupa muito o tempo da mãe e muitas vezes isto a deixa estressada. O que também e normal. Por isso que sempre dizemos que e bom ter alguém para ajudar nos cuidados com o bebê, como a mãe, sogra, tia, para dividir um pouco essa tarefa inicial.
Os pais ficam na maior expectativa de receber um bebê, e quando se deparam com todo aquele trabalho, e recebendo pouco do bebê como resposta, tem algumas vezes sentimentos de decepção. O bebê ainda não brinca, e se sorri é por reflexo. Mas à medida que o bebê vai crescendo, vai nos dando respostas cada vez mais gratificantes, correspondendo aos nossos afagos, sorrindo e mostrando sinais de alegria e nossos sentimentos de amor vão assim aumentando gradualmente.
O amor vai crescendo junto com tudo isso, não vem pronto. À medida que somos gratificados com o bebê, mais gratificação passa para ele, e o amor vai aumentando e se acomodando a novos costumes da família. Então esse pequenino se torna tão importante que tudo se torna sem graça sem a presença dele.
Mas para isto precisou de um tempo, não fique esperando esse amor incondicional imediato. Ele vai aumentando gradativamente ele não nasce tão grande.
- COMO ENTENDER O QUE MEU FILHO DIZ COM SEU CHORO
“Nunca cuidei de um bebê, não faço idéia como lidar com ele, sou completamente sem experiência, acho que não vou saber entender o choro dele.”
São preocupações muito comuns em pais de primeira viagem. Com as famílias cada vez mais “enxutas”, com poucos ou nenhum irmão, cada vez se tem menos contato com irmãos menores, crianças pequenas e as pessoas sentem uma sensação de impotência ao dar cuidados para um bebê. Um verdadeiro pavor de que, cuidar de um bebê necessita ter experiência anterior, e que não saberá atender aos pedidos dele.
Não é esse o caso de maternidade e paternidade. Apesar de não se ter experiência anterior, carregamos dentro de nós, principalmente as mães, uma capacidade intuitiva que não se aprende em nenhum lugar. Vamos escutar o choro do bebê levantando hipóteses: se acharmos que é porque tem fome, então lhe daremos de mamar; daremos chazinho se acharmos que tem sede; o trocaremos se estiver molhado e, se o choro persiste, pegaremos no colo e deixamo-lo sentir o calor de um afeto.
Não podemos nos esquecer que o bebê saiu de um aconchego materno, com toda a proteção humana, e que o calor dos braços dão uma proteção equivalente. Pegue seu bebê quantas vezes precisar. Não se preocupe se dizem que vai ficar mimado. O bebê muitas vezes precisa ficar um pouco mimado para depois poder se soltar dos braços maternos.
À medida que ele vai crescendo, por volta dos 4 meses, ao chorar, ele já pode esperar um pouco mais até receber os cuidados da mãe. O choro também faz bem para o bebê, alem de ajudá-lo a desenvolver os pulmões, o ajuda a perceber que se ele chora, ele vai receber os cuidados que precisa. Vai adquirindo segurança nesta construção. Mas nos primeiros três meses iniciais é muito importante acolhê-lo quantas vezes forem necessárias.
- O "DIZER" E O "FAZER"
Escutar o que o filho tem a dizer não implica que irá prevalecer o que ele diz. Mas sim colocar em discussão propostas diferentes, pensamentos diferentes.
Deixar que o filho fale sobre o que pensa não quer dizer que o pai está deixando-o fazer o que quiser. Falar é diferente de fazer. O filho pode vir e dizer para seus pais que ele é um quadrado e que a “maconha” por exemplo, é um negocio bom, e que não faz mal nenhum.
Está posta ai uma discussão onde se vai permitir discernir sobre os benefícios e malefícios do uso da maconha. Colocar em discussão não quer dizer aceitar que seu filho use maconha. É poder falar sobre isso, ajudar o filho a pensar sobre isto e deixar claro para ele que eles são, por exemplo, totalmente contra o uso da maconha e que ele não terá escolha sobre usar ou não, mas que nada impede de falarem sobre isso. Dar abertura para que a palavra ocupe o lugar do ato. Isto faz uma grande diferença.
- SERÁ QUE VOU CONSEGUIR AMAR MEU FILHO?
“Tenho muito medo de não conseguir ensinar para meu filho o básico para ele ter um bom caráter, ser estudioso, ter uma formação na vida, escolha de uma profissão, não andar em más companhias, não fazer uso de drogas e que também possa nos amar”.
Estas são as perguntas mais freqüentes de pais que estão aflitos para a construção do desenvolvimento de seu pequenino.
Pensamos que certos anseios nos ajudam ate a orientar aonde queremos chegar.
Se os pais tem um pouco desse medo e insegurança, dizemos que faz parte. Claro que nos assusta colocarmos um pequenino no mundo e sermos nós os responsáveis por ele, por grande parte de sua vida. E que ele depende inicialmente exclusivamente de nós para se tornarem um ser feliz e saudável. É muito importante, sim, sentir essa responsabilidade nas costas; se o colocou no mundo nada melhor do que tentar proporcionar a ele uma vida feliz.
Lembrando que ser feliz não implica em inundar nosso filho de riqueza material. Mas uma riqueza afetiva, passando valores e compromissos da vida com a nossa vivência. Não adianta fazer todo um discurso para o filho se a atitude for contrária a tudo o que é dito. O filho aprende principalmente vendo as atitudes dos pais e adultos. Se formos pais demonstrando ter caráter nas atitudes, ajudando o filho a conduzir uma vida escolar com disciplina, respeitar o outro, todo o resto será uma conseqüência. Os filhos vão adquirindo confiança nos pais e entendendo que essa referencia que eles têm de família é muito importante para estar formando as opiniões dele sobre o mundo.
Muitos pais às vezes dizem para seu filho que a lei é para ser obedecida, mas em outro momento ultrapassa um farol vermelho; Ou que devemos respeitar as pessoas e ao mesmo tempo temos atitudes contrarias de desrespeito com o outro. Isto confunde uma criança. Precisamos ser coerentes nas atitudes e discurso, porque senão a confusão que se forma é de difícil reparação.
Quando nos tornamos pais, é muito importante fazer uma revisão de alguns conceitos e atitudes que temos. Porque nossas pequenas atitudes tem muitas vezes repercussão muito grande na educação da criança. Por exemplo, levar um filho todos os dias atrasado para a escola.
Estamos com esse simples gesto passando atitudes de falta de disciplina, falta de compromisso e falta de respeito aos horários. Os pais tem obrigação de levar seu filho no horário para os compromissos. Claro que não estamos falando de um atraso aleatório. Certas tolerâncias também fazem parte da educação.
OS VIESES DA ADOÇÃO
- "DEVO OU NÃO DIZER PARA O MEU FILHO ADOTIVO QUE ELE É ADOTADO?"
Na minha experiência na clinica com adotivos, percebo uma grande dificuldade das famílias falarem sobre o passado do filho adotado. Muitos pais preferem esquecer o assunto da adoção, e esperam que o filho faça o mesmo, que esqueça o seu passado.
Mas mesmo que não nos seja contado, todos nós temos uma “intuição” de nossa história - a conhecemos tanto de forma consciente como inconsciente.
Sendo assim, a questão da adoção deve ser assumida sem medo de confronto, e deve existir uma comunicação clara e simples sobre os pais biológicos.
Os pais adotivos devem falar positivamente dos pais biológicos. Devem deixar claro que o filho adotado foi amado, senão não estaria vivo. O fato da pessoa não ter conseguido garantir a educação do filho não quer dizer que o despreza.
Ajudar o filho a imaginar seus pais biológicos serve para explorar os sentimentos sobre a adoção e o “abandono”. Dizer a verdade e mostrar a alegria que a adoção trouxe abre portas para um desenvolvimento sadio do filho.
- A ADOÇÃO E A DIFICULDADE DE SE RELACIONAR
Em geral as pessoas que sofreram um abandono carregam sentimentos de rejeição muito intensos. Os fantasmas de abandono parecem sempre estar pairando de alguma forma em suas mentes.
A experiência de abandono deixa marcas que influenciam a auto imagem e capacidade de se vincular a outras pessoas. A pessoa adotada fica com medo de gostar e voltar perder o amor, como aconteceu quando foi “abandonado” por seus pais biológicos. Ou quando se liga a uma pessoa, não consegue se soltar, podendo viver “grudada” nesta.
O amor e a aceitação dos pais adotivos influenciarão a capacidade de relacionamento de seu filho. Se os pais adotivos vivem a adoção de uma forma perturbada, a relação com o filho também o será.
Os pais devem garantir um ambiente propício para o filho adotado – ele deve ter certeza que é amado e que não será abandonado novamente. Assim poderá aos poucos adquirir confiança nas relações com outras pessoas, podendo se envolver genuinamente.
- A AGRESSIVIDADE NA CRIANÇA ADOTIVA
Quando a criança sai da instituição e vai para a casa dos pais adotivos, pode ter comportamentos diferentes dos esperados – podem parecer muitas vezes “desajustados”, agressivos ou instáveis.
Esses comportamentos podem assustar os pais adotivos e muitos desistem do processo de adoção por isto.
Não podemos esquecer que se trata de uma criança que teve seu relacionamento com seus pais prejudicado. Isto pode torná-la agressiva e hostil nesse novo ambiente.
A mãe adotiva pode suprir necessidades básicas da criança, à medida que estabelece com ela uma relação íntima, calorosa e constante: tem que ter ciência que está diante de um “bebê emocional”, independentemente da idade cronológica.
Desta forma facilitará a adaptação da criança à sua nova casa.
- NOVOS RELACIONAMENTOS
Uma criança ao nascer, já vem com um vínculo formado, mesmo que frágil, com a sua mãe biológica. Durante a gestação, ela se acostuma com o ritmo “corporal” de sua mãe, que chamaremos de vínculo corporal e é a partir deste vínculo que se inicia o processo de vinculação maior, que vai cada vez mais se fortalecendo com o relacionamento entre a mãe e a criança.
Assim pensando, uma criança adotada teve esse processo de se vincular interrompido. Ela vai precisar se adaptar a outro ritmo que não é igual de sua mãe biológica. Necessitará de um tempo para construir e se adaptar a esse novo ritmo corporal, e essa adaptação nem sempre é tão fácil. Por isso a criança pode parecer chorosa, instável ou agressiva nesse novo lar. Esses comportamentos são esperados; ela está se adaptando a esse novo ritmo. No entanto eles muitas vezes assustam esses pais adotivos.
É importante os pais terem paciência e esperarem o tempo para a criança se adaptar, que nem sempre é rápido. Mas que poderá ser formado gradualmente com uma presença segura , estável , firme e carinhosa. Desta maneira a criança irá se acostumar com esses novos pais e vai reestabelecer esse vínculo.