Por: Luzia Winandy
Entrevista resumida para a TV Uninove no mês de novembro de 2010
1. Quando um nível de estresse passa a ser considerado preocupante?
Vai depender do grau de sofrimento que a pessoa fica acometida, da intensidade da ansiedade e da freqüência em que ocorre. Se não interferir no modo de vida de uma pessoa, não acarretando prejuízos para sua vida pessoal, profissional e social, a ansiedade decorrente de fatores estressantes, acaba sendo bem tolerada. Ou seja, ela consegue mesmo depois de repetidas situações de estresse, retomar um equilíbrio interno; implica que ela está conseguindo administrar bem os conflitos advindos das situações estressoras e não ultrapassar o limiar de tolerância tão importante para manter o organismo em repouso. Algumas pessoas conseguem superar perfeitamente repetidas situações estressantes, enquanto outros podem desenvolver transtornos emocionais e fisiológicos diversos. Tais como: desmotivação e cansaço excessivos; perturbações no sono (insônia ou dormir em excesso); dificuldade de concentração; dificuldade aprendizagem e impaciência. Em outros, pode aparecer como uma manifestação física, afetando os sistemas cardiovascular, digestivo e imunológico, como úlcera, doenças de pele etc.. Se não tratados podem levar a depressão ou transtornos de ansiedade mais importantes.
2. É verdade que o estresse crônico pode ser considerado bom por elevar o nível de concentração?
Pelo contrário, um estresse crônico diminui o nível de concentração. Imagine, ficar o tempo todo em estado de alerta, sentindo-se ameaçada ou com uma sensação de perigo constante; um organismo nesta condição, nunca vai encontrar um estado de repouso e equilíbrio tão necessário para a mente humana.
3. Existem meios alternativos para tratar do estresse patológico?
Um estresse quando se encontra já num nível patológico, dificilmente a pessoa conseguirá se curar sozinha sem ajuda de especialistas seja na área médica e na psicológica. Independente do grau de estresse é sempre bom o sujeito estar atento aos vários setores que sustentam nosso ser. Não fazer do trabalho, por exemplo, sua única fonte de vida, mas procurar ter lazer, com caminhadas ao ar livre, andar de bicicleta, em parques ou praças; hoje em dia a vida está muito pobre de interação social, as pessoas estão muito individualistas, pela própria correria do dia a dia. Buscar um maior relacionamento social, fazer novos amigos, buscar velhas amizades. Ir ao cinema, ao teatro etc. È muito importante procurarmos atender a todos os nossos setores (social, cultural, lazer, profissional, relacional e afetivo) tão úteis para minimizarmos os conflitos do dia a dia.
4. Quando devemos procurar um médico para tratar do estresse e qual é o tratamento mais indicado?
Normalmente as pessoas recorrem a uma ajuda psicológica, quando ela passa a não ter uma clareza do que está acontecendo em sua vida, como se tudo estivesse desabando em sua cabeça de modo inexplicável. Elas percebem que sozinhas não estão dando conta dos conflitos do dia a dia. Sentem que o funcionamento mental ou orgânico está alterado, englobando sintomas psíquicos como crises de angústia, fobias, pânico, insegurança, insônia, dificuldade de concentração, depressão, retraimento e sintomas físicos como hipertensão variável, dores musculares, gástricos e coronários. Ou seja, existe uma tendência das pessoas buscarem ajuda quando já entram neste estado mais adiantado do estresse. O mais indicado seria se alertar logo nos primeiros sinais de alterações no organismo que podem aparecer como uma desmotivação excessiva e um cansaço mais generalizado, acompanhado com perturbações no sono (insônia ou dormir em excesso); dificuldade de concentração e uma impaciência incomum; ou ainda com dores musculares e físicas. Quando tratados neste inicio, uma psicoterapia evolui com muito mais facilidade.
Um tratamento deve priorizar em encontrar qual é o núcleo dos conflitos que está conduzindo ao estresse, investigando a razão ou a causa motivadora. É muito comum os sintomas ocultarem conflitos bem adversos ao que se apresenta de modo manifesto. As pessoas muitas vezes não encontram soluções ou encontram soluções pouquíssimas adequadas para as situações estressantes, gerando com isso uma crise, intensificando ainda mais os conflitos. Aumentam as frustrações, os sentimentos de insegurança e tensão.
Privilegiamos na clinica um atendimento em psicoterapia breve de 12 a 18 sessões que visa beneficiar e entender quais os fatores inconscientes que estão influenciando e determinando a qualidade da adaptação da pessoa. Muitas vezes o paciente comparece a uma consulta e mal sabe dizer quando essa “confusão” iniciou e muito menos ainda quais os fatores antecedentes que poderiam ter alguma relação com sua situação atual. Com uma psicoterapia breve, a pessoa começa assim a entrar em contato com seu mundo interior; vai desenvolver uma percepção de controle pessoal e estabilidade; aumentar a resistência aos estresses da vida; Ajudar a pessoa a superar seus sentimentos de inferioridade, inadequação e insegurança, trabalhando suas relações internas de culpa que minam sua auto-estima e segurança. Buscar uma melhora na qualidade de vida.
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