Por: Luzia Winandy
Vamos aqui discutir sobre dois tipos de culpa: uma culpa saudável e uma culpa que chamaremos de nociva.
Ter culpa é um sentimento que marca uma passagem no nosso desenvolvimento emocional infantil e é considerado estruturante. Só conseguimos sentir culpa porque ultrapassamos etapas mais primitivas de nossa mente. É por sentirmos culpa que aceitamos as regras impostas pela cultura, favorecendo uma disciplina e assumindo responsabilidades. Se não sentimos culpa, o nosso mundo fica esquizóide, isto é, significa que não introduzimos o outro como sendo importante na nossa existência; implicaria ver somente a si mesmo como objeto de valor, sem se importar o quanto estamos magoando o outro ou transgredindo as normas sociais.
Precisamos sentir culpados para tentarmos reparar (consertar) algo que sentimos ter feito para aquele a quem amamos: seja o pai, a mãe, o irmão, o marido, a esposa, o filho, o amigo ou qualquer pessoa de nossas relações. Ou seja, a culpa aparece quando a pessoa percebe que atacou(magoou) a pessoa amada e tem medo de perder esse amor(se sente arrependido). Assim ela busca formas de restaurar seu erro, e um deles é no pedido de desculpas, perdão ou mesmo reparando seu erro.
Esta é uma culpa que podemos chamar de saudável porque essa culpa é importante e como já disse é estruturante.No entanto, muitas pessoas não aguentam sentir a culpa, por que ter culpa é doloroso, fica uma fantasia de que estragou e consertar é muito dificil. E acaba se defendendo de sentir culpa, desenvolvendo comportamentos inadequados no lugar da culpa, como por exemplo, uma indiferença, desamor ou hostilidade na relação com o outro. Se as pessoas aceitassem a culpa que sentem, as relações humanas seriam muito melhores.
Vamos falar agora da culpa nociva, que é aquela que a pessoa, carrega em seus ombros, mas não pelos fatos ou erros cometidos, mas pelos erros que PENSA ter cometido.
(more…)
