Entrevista para a Revista Viver Brasil no. 29 de 12/02/2010
Por Luzia Winandy
Pessoas que sobrevivem a terremotos, desabamentos podem vir a ter claustrofobia?
Podemos dizer que pessoas que experimentam eventos catastróficos, como terremotos e desabamentos e que envolvem um medo de morte ou medo da perda da integridade física e que responderam a esse trauma com medo intenso, impotência, sensação de desamparo ou horror, estão muito sujeitas a desenvolverem transtornos ansiosos diversos e a claustrofobia é um deles. - Claustrofobia é um medo de ficar em lugares fechados, apertados, como elevador, metrô, trem e aviões. É dominado por uma sensação de que vai ficar preso ali e morrer sem ar, sem ser socorrido e ajudado.
Para algumas vitimas, decorrido um tempo após esse evento traumático, qualquer vivência que passa a ter num ambiente fechado, sem nenhum perigo real aparente, ela apresenta um medo desproporcional à situação, que foge de seu controle voluntário. Esta vivência atual, sem nenhum perigo, vai remetê-la ao medo original, de morte, experimentado no trauma. O evento é persistentemente revivido com recordações aflitivas, e a pessoa passa a agir ou sentir como se o perigo estivesse ocorrendo novamente.
Sem dúvida a reação da pessoa vai depender da interpretação que ela vai dar ao evento vivenciado como traumático e esta interpretação é determinada de acordo com a sua sensibilidade psicológica , pela condição biológica (genética e congênita) e pela sua história de vida na relação com o meio ambiente.
De igual importância é avaliar o quanto a família também se desestabilizou com o evento traumático seja de forma direta ou indiretamente e promover a compreensão da família ä respeito das reações da vítima – problemas com o sono, dores de cabeça, problemas gastrintestinais e até escolares e profissionais.
2. E quem está com a fobia tem mais dificuldades de sobreviver a situações como essa?
Se a pessoa que vivenciar esse evento catastrófico for portadora de algum tipo de fobia, provavelmente vai dificultar a sua busca da sobrevivência, pela ansiedade e estado de pânico que estará acometida, de modo exacerbado. Pessoas menos ansiosas conseguem manter uma linha de pensamento mais otimista e de esperança, conseguindo se conter e buscar formas de sobrevivência no aqui e agora. Estamos acompanhando pelos noticiários, vitimas do terremoto onde alguns sobreviventes conseguiram se manter debaixo dos escombros por vários dias. Este é o perfil de uma pessoa que consegue manter uma postura de controle emocional, não se deixando ser dominado pelo pânico, o que vai lhe permitir buscar pequenas soluções no espaço físico e emocional que se encontra; ou seja, ela consegue manter ao menos um pouco do bom senso apesar do risco iminente da morte.
Ao contrário de um fóbico, que vai ser provavelmente dominado por uma ansiedade e desespero tais que o bom senso desaparece; esta busca de soluções no aqui e agora “dão um branco” e a pessoa entra num estado de choque e pânico que mal conseguem controlar a respiração. Essas pessoas morrem muitas vezes pelo desespero.
3. Quais os tratamentos?
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