Tirando as Máscaras

Transformar uma pessoa na protagonista de sua própria história libertá-la de sua passividade, de sua condição de mascarado social onde sua personagem principal não consegue surgir, é o que estaremos discutindo neste artigo.

Todos nós somos formados, na maioria das vezes, com a adoção de máscaras sociais. Colocamos máscaras para convivermos na sociedade e até conosco mesmas. Usamos máscaras porque não toleramos determinadas coisas em nós e por crenças que formamos sobre o mundo e idealizarmos um jeito de ser aceito pelo outro. A máscara de cada ser humano mata 90% das suas possibilidades de respostas criativas e mecanizam-no.

No dia-a-dia representamos os nossos papéis no teatro da vida. O nosso jeito de ser em casa não é o mesmo que somos no trabalho, com os filhos, como mãe, como pai, na igreja, com os amigos. Desempenhamos um papel diferente para cada situação da nossa vida. Denominamos isso de máscaras sociais, que são os diferentes papéis, os vários personagens do nosso cotidiano. Acabamos formando essas máscaras numa tentativa de satisfazer as expectativas do outro. Agimos desta forma despercebidamente; desde bem pequenos numa tentativa de sobrevivência, buscamos uma melhor adaptação ao grupo que pertencemos. São formadas em decorrência da necessidade que temos de ser aceitos por esse grupo, ou para manter um bom relacionamento com quem convivemos.

Certamente, usar máscaras sociais é útil e faz parte do nosso dia a dia social. Podemos até dizer que ela é necessária para o nosso cotidiano. No entanto, numerosos problemas se desenvolvem em decorrência disso. Principalmente quando essas máscaras nos enrijecem e ficamos com a sensação de estarmos amarrados aos nossos papéis sociais, às expectativas que as outras pessoas têm sobre nós, ao controle que queremos exercer sobre os outros; podemos dizer que deixamos de usar nossa espontaneidade e de sermos nós mesmos. A imagem que o outro forma sobre nós torna-se mais importante que nossos sentimentos e emoções. Passamos mais tempo nos ocupando do que os outros esperam de nós e do que vão pensar a nosso respeito do que olharmos para nós e questionarmos nossos desejos, nossos sentimentos e pensamentos.

Para nos libertamos dessas mecanizações que formamos ao longo da vida, precisamos ousar sermos nós mesmos e isto implica em olharmos nossos defeitos, fragilidades, medos, fraquezas e sair de uma imagem idealizada que formamos. Ficamos muitas vezes tão distantes de nós que nem sabemos do que gostamos, em um emaranhado de insatisfações.

Uma tentativa para se desmecanizar, tentar se libertar dessas máscaras é ter consciência das emoções e sentimentos quaisquer que sejam eles, e ousar expressá-los livremente. No entanto, é muito difícil sermos nós mesmos quando há anos não nos observamos e nem nos valorizamos. Por isso é necessário começar pela sua desmecanização, pelo seu amaciamento, para torná-lo capaz de assumir o personagem que você é. Questionamentos como Quem sou eu? O que desejo da vida? O que pretendo ser? O que quero construir? Quais são minhas metas de vida? Quais são meus sonhos? Como quero realizá-los? Quando fico triste? Como é ter raiva? O que estou sentindo? Que emoções tenho? Que sensações? É necessário que cada um volte a sentir certas emoções e sensações das quais já se desabituou.

Existe uma simultaneidade entre o sentir e o pensar. Precisamos nos tornar analistas dessas emoções e não só senti-la desenfreadamente. Este é um começo para a desmecanização de nosso ser e podermos usar nossa espontaneidade de forma mais livre e criativa.

Luzia Winandy

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