Timidez não é Defeito(entrevista)


Por:Luzia Winandy Entrevista para o portal http://www.abiliodiniz.com.br/abilio-diniz.

1 – A timidez é um traço de personalidade ou a pessoa adquire essa característica ao longo da vida? É um jeito de ser da pessoa que segundo pesquisas, vem muitas vezes de origem genética, mas que acaba sendo fortalecido por um ambiente familiar e escolar facilitador. Geralmente, as crianças que se mostram muito boazinhas e submissas, acabam ficando com um rótulo na escola de criança “bobona”. Os colegas “zoam” esta criança, que por seu próprio jeito quietinho, não se vê com quem falar em casa e com o tempo acaba por se convencer disso, formando uma imagem negativa de si. Fica se sentindo sozinha em sua angústia sem procurar ajuda familiar. Mas isto acontece quando os pais não ficam atentos nos filhos. Eles muitas vezes privilegiam os filhos que são bonzinhos e passivos. Os pais devem ficar atentos às crianças muito quietinhas, choronas ou ainda muito grudadas neles para ajudá-las a sair deste ostracismo que muitas vezes elas formam.

2 – A timidez atrapalha mais no trabalho (entrevistas de emprego, falar em público) ou nas relações sociais (amorosas e de amizade)? O que se percebe na clinica é que a timidez no ambiente de trabalho que acaba levando mais as pessoas a procurarem ajuda profissional. As pessoas se sentem mais pressionadas profissionalmente, cobradas a mostrar mais eficiência e são mais expostas a falar em reuniões e com autoridades. Elas percebem que de fato estão sendo avaliadas nestas situações. Outras vezes, precisam passar por entrevistas de emprego e julgam não poder cometer erros. Precisam falar em reuniões e sente-se constantemente o foco das atenções. Estas situações acabam por conduzir a uma situação tal que alguns deles acabam por desistir de um cargo ou mesmo de procurar um novo emprego.

3 – E os pontos positivos de ser tímido existem? Quais são? Como a pessoa pode aproveitar o fato de ser tímido para o próprio benefício? Lembrando que o medo de errar e ser julgado negativamente pelo outro está na base de uma timidez, podemos pensar que ao mesmo tempo, precisamos de um pouco desse medo para ter um bom desempenho no que se faz. É pelo medo de errar e ser julgado que acabamos nos debruçando sobre nossos afazeres por não querermos passar por incompetentes aos olhares alheios. Conduz-nos a ponderar nossas decisões e escolhas. Assim sendo, um pouco de timidez é importante sim, porque é isto finalmente que nos impulsiona para uma dedicação numa tarefa. No entanto, precisamos tomar cuidado para que isto não seja confundido com perfeição. É o que acontece com o tímido num grau maior. Ele confunde fazer um trabalho eficiente com um trabalho perfeito, querendo se mostrar perfeito ao olhar do outro. E como todos sabem perfeição nunca vamos encontrar, por mais que desejemos. O mais importante de tudo é cada um respeitar o seu próprio jeito de ser. No momento que ele se permite aparecer com suas limitações, ele vai agir mais normalmente e tudo que é espontâneo acaba sendo mais criativo e produtivo.

4– Qual a diferença entre timidez e fobia social? Como saber que a timidez virou fobia? O que a pessoa deve fazer nesse caso? A diferença está na intensidade da ansiedade e no enfrentamento diante de eventos temerosos. Se a pessoa enfrenta as situações mesmo com temor, está caracterizada uma timidez porque não está evitando as situações e concomitantemente, não está havendo mudança no modo de vida pessoa; no entanto, quando a ansiedade é muito intensa e a pessoa acaba por fugir das situações temidas, isto pode vir a causar um grande prejuízo na vida pessoal dela; neste caso, podemos dizer que está aproximando de uma fobia social. Lembrando que a fobia pode ter vários níveis. Muitas vezes ela pode chegar a um isolamento, num grau mais alto de uma fobia social. Sua vida vai empobrecendo e os laços sociais vão ficando cada vez mais estreitos. É importante a pessoa se auto avaliar; se perceber que está se esquivando cada vez mais das situações que lhe causam ansiedade, a ponto de interferir em sua vida pessoal, seja de ordem social, afetiva e produtiva; e se não estiver conseguindo resolver sozinha, não hesite em buscar ajuda profissional. Quanto mais cedo buscar tratamento, melhor o prognóstico.

Luzia Winandy

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