Ansiedade X Angústia (Entrevista)

Por: Luzia Winandy Entrevista para o Portal Uniliver.com.br

É muito difícil compreender o que de fato estamos sentindo. Como diferenciar a ansiedade de outros sentimentos como medo e angústia?

Ansiedade é um estado emocional que se assemelha ao medo; no medo ocorre uma situação real e uma sensação de perigo especifica. Existe a presença de um objeto ameaçador. Se removermos esse objeto que provoca o medo, a sensação volta ao normal e a pessoa retoma o equilíbrio em alguns instantes.

Mas todos os outros medos como de morte, de falar em público, de altura, de voar, de permanecer em lugares fechados etc., são na verdade ansiedades. Mesmo que se originem de um evento especifico, não representa um perigo claro e presente, porque não existe algo concreto, físico que esteja ameaçando a pessoa.

Ansiedade todos nós sentimos e precisamos dela no nosso dia a dia. Todos nós sabemos o que significa sentir ansiedade, pois todos já a experimentamos de alguma forma. Pode ser definida como um estado generalizado de alerta em que reagimos à percepção de uma ameaça ao nosso bem estar. Ela é inerente ao desenvolvimento humano e é uma expressão de nossa capacidade de reagir diante de situações novas. Se temos uma situação nova entramos num estado de alerta (ansiedade) que vai nos mobilizar a buscar soluções para tal situação e retomamos ao estado de conforto anterior. É semelhante a um estado de nervosismo, a respiração fica mais difícil, o corpo se tenciona os ombros endurecem. Podendo provocar taquicardia, sensação de sufocamento, sudorese, dores e tremores, náusea, desconforto abdominal, vertigem, desmaio, sensações de formigamento. No entanto, para algumas pessoas, essas sensações se tornam insuportáveis, dando-lhes uma idéia de que vai morrer ou enlouquecer. Neste estado a ansiedade e a angústia não se diferenciam. No entanto, podem-se referir à angústia quando se predominam principalmente sensações de sufocamento, aperto no peito e a ansiedade estão mais associada às expectativas negativas, medos, incertezas e inquietações.

- Por que ela aparece? O que pode causar este estado? Importante salientar que é o pensamento que vai determinar os sentimentos da pessoa. O fato de uma experiência particular ser percebida com ansiedade ou angústia não depende apenas da natureza da mesma, mas do significado atribuído a esta situação pela pessoa, da forma como ela vai interpretar tal experiência. Ou seja, vai depender da forma como a pessoa pensa sobre o evento/situação. É o pensamento que vai determinar os sentimentos da pessoa. Estes pensamentos estão relacionados a seus recursos internos e às suas defesas. Vai depender da sensibilidade afetiva dela, de sua visão que tem da realidade, da valorização do passado ou das perspectivas de futuro. Uma representação pessimista da realidade pode favorecer reações de ansiedade enquanto uma representação positiva pode amenizar estes efeitos ansiogênicos. Vai depender também da imagem que ela tem de si própria, incluindo a auto-estima e autoconfiança.

Quando o nível de ansiedade ultrapassa os limites tolerantes pelo organismo da pessoa, se o nível de ansiedade for mais intenso do que a pessoa possa agüentar, vai provocar um desequilíbrio interno e, em determinado momento o organismo entrará em um tipo de “pane”, deixando de estar em sintonia todo o sistema orgânico e emocional. Ocorreu assim o que se pode chamar de uma ruptura do sistema como um todo, e o organismo entra em desequilíbrio, podendo aparecer alterações como pouca concentração, irritabilidade, falta de sono, falta de ar, palpitações, etc., acarretando prejuízos na vida pessoal, profissional e social. Uma pessoa diante dessa perspectiva de ansiedade/angústia passa a evitar as situações ansiogênicas, a não enfrentar as situações que lhe são conflitantes e isto acaba por empobrecer a sua qualidade de vida.

São os conflitos do dia a dia que muitas vezes acabam por conduzir à ansiedade; Conflitos teremos sempre, por isso é muito importante ter momentos para manter a mente mais em repouso. Não devemos fazer do trabalho, por exemplo, a única razão de vida; é importante reservar horário para si próprio procurando ter lazer, fazer algo que dê prazer, pode ser caminhada ao ar livre, andar de bicicleta, em parques ou praças; hoje em dia a vida está muito pobre de interação social, as pessoas estão muito individualistas, pela própria correria do dia a dia: buscar um maior relacionamento social, fazer novos amigos, buscar velhas amizades, ir ao cinema, ao teatro, etc. Dormir bem e alimentar-se adequadamente. É muito importante procurarmos atender a todos os nossos setores (social, cultural, lazer, profissional, relacional e afetivo) tão úteis para minimizarmos os conflitos do dia a dia. Estes momentos de lazer ajudam a mente a se distanciar um pouco do conflito, é importante deixarmos o problema um pouco em “stand by” e depois mais descansados, retomar nele e até encontrarmos novas soluções. Muitas vezes buscamos soluções muito imediatas para determinadas situações por não agüentamos o tempo de espera de um amadurecimento. E como conseqüência acabamos por encontrar soluções inadequadas para as situações, aumentando ainda mais o conflito.

Luzia Winandy

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