O LUTO NAS SEPARAÇÕES

Por: Luzia Winandy

Matéria para o portal www.Luzia.psc.br

Quem de nós não sofre diante de um término de um relacionamento de um namorado, marido ou de uma pessoa muito querida? Terminar um relacionamento é sempre muito difícil. Todos nós sentimos a dor de uma separação, porque nas ligações afetivas nas relações interpessoais, formamos vínculos que pensamos serem duradouros; eternizamos nossos laços amorosos e pensamos que eles farão parte de nossa vida para sempre , que nada irá nos separar.

E quando menos percebemos, esse vínculo foi interrompido e a dor desta separação parece se tornar insuportável, perdendo todo o significado de nossa existência. Tentamos desesperados fugir dessa dor, numa tentativa de não entrar em contato com esse sofrimento. No entanto, sofrer a dor inerente da separação é crucial para a boa resolução da perda e a pessoa poder novamente retomar sua vida funcional.

Porém, algumas vezes, esse sentimento pode se tornar tão profundo e conduzir a uma angústia de separação, que se manifesta, muitas vezes, por reações afetivas como sentimento de estar só e abandonado, triste, pesaroso, frustrado ou até mesmo desesperado. Outras vezes, estas reações podem ser menores, e surgirem como ansiedade ou até mesmo uma mágoa. Mas podem chegar a manifestações maiores, como a depressão, por exemplo.

A capacidade de conter esta angústia varia de cada pessoa, bem como o modo de tolerar os sentimentos advindos desta perda como, por exemplo, a esperança em reaver a pessoa perdida; a raiva por se sentir deixado; a culpa por tê-lo perdido e o desespero por se sentir só e abandonado. Viver esta perda e poder expressar tais sentimentos é uma das formas de lidar com a situação, pois quando a expressão do luto é permitida, ela possibilita uma despedida saudável da pessoa amada, conduzindo a uma gradual superação da dor e reorganização da vida.

A não resolução do processo de luto pode deixar marcas profundas, pois a angústia de separação é uma das mais freqüentes causas desencadeantes de perturbações patológicas.

Apesar da crise que provoca uma separação é importante salientar que desde o nosso nascimento, desenvolvemos uma capacidade inata de reagirmos às perdas e separações em nossas vidas, e que estamos constantemente em processos de despedidas, separações e perdas: Iniciamos nossa vida extra uterina perdendo o nosso conforto e segurança de um ventre materno; perdemos nosso lugar de filho único quando nasce o irmãozinho; perdemos o seio da mãe que nos amamenta; perdemos o colo materno quando deixamos nossa infância e seguimos para a adolescência e juventude. Ou seja, todo o processo de luto e separação em nossa evolução da vida, tem o único intuito: de nos conduzir a sermos nós mesmos e aprendermos a tolerar a solidão de sermos únicos, distintos dos outros e passarmos a sentir-nos responsáveis pela condução de nossa própria vida.

Luzia Winandy

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