Depressão pós-parto paterna


A chegada de um bebê representa uma transformação total no casal no sentido de que passa a existir, a partir daí, um terceiro. Todas as atenções e cuidados são agora dirigidos para este pequeno ser, fruto da relação amorosa. Isto em alguns casais pode gerar alguns conflitos inconscientes, por esta quebra de atenção e cuidados um com o outro.

Muitos estudos são desenvolvidos sobre a Depressão pós-parto materna e das inúmeras conseqüências para o bebê do não tratamento. No entanto é muito importante estar atento também aos sentimentos paternos, que muitas vezes passam despercebidos pelos familiares e pela mulher. A tristeza paterna que segundo alguns estudos podem acometer até 20% dos pais pode ser a responsável por mudanças de comportamentos importantes e desagregadoras no homem se não forem dadas as devidas atenções. Ela pode se desenvolver de uma simples tristeza para uma depressão, tão profunda, que poderá conduzir o homem a trilhar um caminho árduo e penoso, como forma inconsciente de não entrar em contato com seus sentimentos mais profundos.

É natural que no inicio do nascimento do bebê, muitas coisas mudam na vida de um casal. Aquela tranqüilidade, noites de sono dormidas intensamente, saídas noturnas sem preocupação com horários, programas com amigo até altas horas, baladas, viagens etc. vai naturalmente sofrer uma transformação. Porque agora existe um bebê que precisa de cuidados, atenção e também de horários. Ou seja, o bebê acaba sendo um impedimento para muitas coisas prazerosas, e agora praticamente tudo gira em torno dele.

Alguns estudos mostram que essas mudanças na rotina do casal com um novo ritmo de vida, os ciúmes pelo sentimento de exclusão do homem da dupla mãe-filho, bem como a ansiedade sobre as expectativas de ser um bom provedor e o aumento das responsabilidades, são uma das grandes causas que podem ser o desencadeador da chamada “depressão pós-parto paterna” (DPP).

É muito importante ficar atento aos principais sintomas que podem denunciar uma depressão pós-parto no homem: - Tristeza aumentada - Maior Irritabilidade, agressividade e hostilidade - Falta de apetite - Pouca vontade de se relacionar com o bebê. - Desapego pelas atividades do dia-a-dia - Insônia - Diminuição ou perda da libido - Angústia - Em alguns casos pensamentos suicidas - Mudança no comportamento tais como: Evitar permanecer em casa adquirindo mais ocupações externas, extrapolando no tempo de trabalho e nos exercícios físicos e ainda procurando novas relações amorosas, podendo chegar ao abandono do lar.

A doença merece uma atenção especial da mulher e dos familiares, que por questões fisiológicas e culturais masculinas, muitos homens preferem se calar e ficar introspectivos em seus sentimentos e sofrimentos e muitas vezes só passam a ser percebidos na família com as mudanças e alterações do comportamento que são usados como fugas inconscientes destes conflitos. Os estudos e pesquisas alertam para uma atuação preventiva das equipes multidisciplinares de saúde, principalmente os obstetras, pediatras, psicólogos e psiquiatras, podendo oferecer ao novo pai o suporte de que necessita para encarar as ocasionais ocorrências de depressão e inquietações, bem como das possíveis modificações comportamentais.

Se o pai perceber que alguns destes sintomas estão sendo recorrentes, não deixe de procurar ajuda profissional. Quanto antes for diagnosticado mais rapidamente será tratada, deixando menos seqüelas na dinâmica familiar que acaba ficando tão desestruturada. Quando tratados no inicio, uma psicoterapia evolui com muito mais facilidade. Um tratamento deve priorizar em trabalhar os pensamentos e sentimentos que ficam represados e encontrar qual é o núcleo dos conflitos que está conduzindo à depressão, investigando a razão ou a causa motivadora. Com isto ele deve reencontrar sua autoconfiança e um equilíbrio emocional.

Luzia Winandy Direitos reservados www.Luzia.psc.br

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