Ansiedade

  • COMO A ANSIEDADE AFETA NOSSA VIDA

Freud foi pioneiro ao chamar atenção do mundo moderno para a importância crucial da ansiedade; ele entendeu o papel da ansiedade como a chave da compreensão do comportamento e do sofrimento humano.

Ansiedade vem se apresentando como um dos grandes problemas da atualidade e em geral é decorrência da vida agitada que levamos, da pressão no trabalho, do stress do dia a dia.

Todos nos sabemos o que significa sentir ansiedade, pois todos já a experimentamos de alguma forma. Ansiedade é um estado generalizado de alerta em que reagimos à percepção de uma ameaça ao nosso bem estar.

A origem da ansiedade está na nossa dificuldade de lidar com ela, e das conseqüências trágicas resultantes da sua negação.

Ansiedade é semelhante a uma sensação de nervosismo, a respiração fica mais difícil, o corpo se tenciona, os ombros endurecem.
 
Ela tem sido definida como um estado emocional desagradável que vem acompanhado de desconforto físico tais como frio na barriga, coração acelerado, nó na garganta, mãos suadas e entre outros, uma sensação paralisante.
 
Outros sintomas biológicos que acompanham a ansiedade são a taquicardia, sensação de sufocamento, sudorese, dores e tremores, náusea, desconforto abdominal, vertigem, desmaio, sensações de formigamento.

Existem ainda aqueles que são acompanhados de dificuldade de concentração, angústia, apreensão, medo, insegurança, e um mal estar indefinido.

  • O QUE LEVA ALGUMAS PESSOAS TEREM MAIS ANSIEDADE QUE OUTRAS 

A Ansiedade é inerente ao desenvolvimento humano. É uma expressão da capacidade da pessoa para reagir a ameaças.  Ela é uma experiência do dia a dia que pode nos fortalecer ou nos paralisar, vai depender do grau e da intensidade que sentimos a ansiedade.

Ansiedade é algo que permeia grande parte de nossas experiências. Cada pessoa reage de uma forma diferente aos diferentes estímulos estressores e também terão limiares diferentes de esgotamento. 

 

O fato de uma experiência particular ser percebida com ansiedade não depende apenas da natureza do mesmo, como acontece no mundo animal, mas do significado atribuído a este evento pela pessoa, da forma como a pessoa interpreta tal experiência. Ou seja, vai depender da forma como a pessoa pensa sobre este evento.

É o pensamento que vai determinar os sentimentos da pessoa. Estes pensamentos estão relacionados a seus recursos, a suas defesas e a seus mecanismos de enfrentamento. Isto diz respeito mais à personalidade da pessoa que aos eventos em si.

Vai depender da sensibilidade afetiva da pessoa, da visão que cada um tem da realidade, da valorização do passado ou das perspectivas de futuro.
 

Uma representação pessimista da realidade pode favorecer reações de ansiedade enquanto uma representação positiva pode amenizar estes efeitos ansiogênicos. Vai depender também da imagem que a pessoa tem de si própria, incluindo a auto estima e auto confiança.

Como podem ver, nossos pensamentos são responsáveis por todas as nossas reações.

  • HOMENS E MULHERES SOFREM DIFERENTEMENTE DIANTE DA ANSIEDADE

A maioria das pessoas aprende a envergonhar-se dos sentimentos de ansiedade e medo.

É mais comum para as mulheres admitirem os sentimentos de ansiedade que para os homens, pela nossa cultura do ideal machista.

A ansiedade masculina, quando não reconhecida, se converte muitas vezes em alcoolismo e dependência, trabalho em excesso, isolamento emocional, violência e problemas de saúde como pressão alta e ataques cardíacos.

Para as mulheres, por outro lado, a ansiedade tende a manifestar-se através de sintomas como distúrbios alimentares, baixa auto estima, síndrome de super mulher, preocupação excessiva com os outros, dependência emocional e os problemas físicos como as síndromes pré-menstruais e as dores de cabeça.

  • QUAL A RELAÇÃO DO PENSAMENTO NAS NOSSAS REAÇÕES

Sempre que uma pessoa experimenta um estado de humor, existe um pensamento relacionado a ele que ajuda a definir o humor. Diferentes pensamentos ou interpretações de um evento podem levar a diferentes estados de humor em uma mesma situação.

As características mais específicas da ansiedade seriam os sentimentos de ameaça frente ao perigo, a um determinado valor que o individuo sustenta ser essencial a sua existência, a sua segurança e ao seu amor próprio.

 

Ansiedade é um estado emocional que se assemelha ao medo, porém no medo existe uma situação real e uma sensação de perigo específica. Se removermos esse objeto que provoca o medo, a sensação volta ao normal e a pessoa volta ao equilíbrio em poucos instantes. Por exemplo, diante de um assaltante numa rua escura. Isto é possível por ter sido identificado qual o objeto que está ameaçando, e pela retirada do mesmo, tudo volta ao normal.

Mas todos os outros medos, como de morte, de falar em público, de altura, de voar, de permanecer em lugares fechados,etc. são na verdade ansiedades. Ou seja, mesmo que se originem de um acontecimento especifico, não representam um perigo claro e presente, porque não existe algo concreto, físico que esteja ameaçando a pessoa.

  • RAíZES DA ANSIEDADE  

É importante identificar as raízes da ansiedade. No entanto, qualquer que seja a forma com que se apresente, sua origem está na mente, e qualquer perturbação repercute na pessoa como um todo. A personalidade é um todo harmônico.

A mente tomada pela ansiedade em vez da segurança e determinação torna-se o motivo de constantes dúvidas e incertezas. O ansioso sempre hesita em fazer ou dizer qualquer coisa com medo de errar. O medo de errar está na base de grande parte da ansiedade.

Cada ansioso vive sua ansiedade de modo particular e isso explica a grande variedade de distúrbios de ansiedade.

 

A ansiedade tem cura e pode ser canalizada para seu próprio beneficio, aumentando mais seu potencial, sua criatividade e confiança em si mesmo. Não basta só aliviar a ansiedade, recorrendo muitas vezes a recursos como comer em demasia, fazer uso de álcool, drogas e tabaco, tornar-se agressivo. Para sarar da ansiedade patológica é preciso descer às suas raízes mais profundas.

 

Existe uma tendência das pessoas não entrarem em contato com seus sentimentos e isso só faz aprofundar ainda mais a ansiedade; é preciso enfrentar os sentimentos que provocam ansiedade. Enfrentar esses sentimentos que estão que estão desencadeando essas ansiedades é o caminho que a experiência clinica nos aponta para transformar essas ansiedades em criatividades, possibilitando o retorno do equilíbrio emocional interno.

  • OUTRAS FORMAS DE MANIFESTAÇÃO DA ANSIEDADE

A maioria das pessoas tenta o tempo todo esconder dentro de si os sentimentos que causam ansiedade, na esperança de que desapareçam. Tentam também se livrar da ansiedade jogando-a em cima dos outros, passando a fazer críticas, culpar, controlar e manipular outras pessoas. Tentam ainda se distrair de seus sentimentos que causam ansiedade, para não ter de enfrentá-los.

 

A negação e distração são as principais saídas que as pessoas usam para evitar a ansiedade. Existe uma tendência das pessoas não entrarem em contato com seus sentimentos, desconhecer seus próprios sentimentos, construindo muralhas internas que os isolam da ansiedade. Não entrar em contato com os sentimentos só faz aprofundar ainda mais a ansiedade, se tornando muitas vezes a causa oculta por trás do excesso de comida, do fumo, do alcoolismo, das dependências e de outras atitudes sabotadoras; a ansiedade impele também as pessoas a buscarem alívio em atividades como fazer compras, jogar patologicamente, fazer sexo compulsivo e ver televisão o tempo todo.

  • PRINCIPAIS TRANSTORNOS DECORRENTES DA ANSIEDADE PATOLOGICA (CID-10)   

Síndrome do Pânico
Depressão
Hipocondria
Fobia
Fobia Social
Agorafobia
Estresse Pós-traumatico
Ansiedade Generalizada
Disfunções sexuais
Jogo patológico
Tricotilomania

  • ENFRENTANDO A ANSIEDADE    

Vamos pensar em um candidato a uma vaga no vestibular. Existe a situação real que é fazer uma prova, e para ser aprovado precisa obter pontuação superior a uma determinada média. Se ele não tirar essa média provavelmente não conseguirá uma vaga e terá que repetir o curso pré-vestibular, ou optar por outra faculdade.

 

Assim, devemos considerar a importância de existir um determinado nível de ansiedade que vai servir de estimulo para a ação deste estudante se disciplinar e estudar, para que possa atender seu objetivo: conseguir uma vaga no vestibular.  Esta ansiedade é extremamente importante para todo o período de preparação ao vestibular. É essa ansiedade que nos permite planejar, programar e estruturar uma forma de estudar para ser bem sucedido na prova.

 

Mas em muitos casos, o nível da ansiedade ultrapassa os limites tolerantes pelo organismo da pessoa, e outros mecanismos internos também são acionados.  A situação serve ao mesmo tempo de estímulo, mas por outro lado ela funciona como um obstáculo a uma boa performance na prova. E fica assim marcado o início de uma ansiedade que só servirá para destruir o desempenho do aluno, se ele não conseguir equilibrar essa polaridade.

 

Se o nível de ansiedade destrutiva for mais intenso que o nível da ansiedade construtiva, vai provocar um desequilíbrio interno e, em um determinado momento o organismo entrará em pane, deixando de estar em sintonia todo o sistema orgânico e emocional.

 

É neste momento que a ansiedade acaba se tornando patológica. Ocorreu assim uma ruptura do sistema como um todo, e o organismo entra em desequilíbrio, podendo aparecer mudanças neste organismo como pouca concentração, irritabilidade, falta de sono, falta de ar, palpitações, sudorese, mãos frias e úmidas, boca seca, vertigens e tonturas, náuseas, diarréias, rubor, impaciência, tremores, tensão muscular, inquietação.

  • UM PROGRAMA DE MUDANÇAS PARA ENFRENTAR A ANSIEDADE   
     

Existem hoje técnicas cognitivo-comportamentais que permitem a pessoa trabalhar esses desequilíbrios advindos dessa polarização nas ansiedades, e a lidar de modo a transformar essa ansiedade tão destrutiva á saúde emocional em uma ansiedade produtiva para o desenvolvimento do bem estar pessoal.  Ou seja, transformar essa ansiedade em criatividade. E assim a pessoa vai poder usufruir todo seu potencial, mas com criatividade e não mais com ansiedade.

 

Na Terapia da ansiedade, os atendimentos são feitos de forma breve, numa abordagem comportamental cognitiva; os terapeutas são ativos, dirigidos ao objetivo e usam várias técnicas para modificar pensamentos, sentimentos e padrões de comportamentos problemáticos, incluindo a identificação e o questionamento das idéias errôneas.

 

Muitas pessoas se surpreendem ao saber que seus sentimentos são resultado de como elas pensam sobre determinada situação. A surpresa é ainda maior quando se deparam que ao mudar sua interpretação sobre tal situação, elas poderão ter sentimentos bem diferentes. Pensamentos e sentimentos são coisas bem distintas e no entanto eles interagem o tempo todo.

 
 
 
 
 
 
 
 
 

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