Ser Pais e conflitos Subjacentes

Por Luzia Winandy

Quantos momentos eu sentia que “odiava” meus pais e achava que eles eram uns “caretas”; e quantas vezes eu os achava os piores pais do mundo e pensava que não gostava mais deles; tudo que eles diziam eu era do contra. Será que vai acontecer a mesma coisa comigo? São dúvidas e perguntas que acompanham a maioria dos pretendentes a pais. E assim muitas vezes decidem que querem ser um pai bonzinho e que seu filho não sentirá nada disso, que o amará incondicionalmente.

É muitas vezes pensando nisto que muitos pais acabam se conturbando nessa sua dúvida em relação a serem pais. Muitos dizem, quero ser um pai moderno, meu filho nunca me chamará de careta, e vai sempre se orgulhar de mim por eu ser bem atualizado em relação à vida. Vou fazer tudo para meu filho. Nada lhe faltará.

Fica assim marcado o inicio de uma educação fadada a ter um final catastrófico ou pelo menos conturbada.

Importante salientar que este mal estar que sentimos em relação a nossos pais no passado, essa necessidade de discordarmos em relação ao que eles nos ensinavam, ter pensamentos ruins sobre eles, tudo isso, faz parte do desenvolvimento humano. Nós muitas vezes precisamos disso para nos auto afirmar. Uns precisam mais, outros menos, mas é certo que a grande maioria para encontrar um lugar no mundo, se posicionar em relação a uma identidade, precisou muitas vezes achar os pais os piores pais do mundo; precisou achar que o pai do amigo era um cara bem mais legal e pensava ainda: como seria bom se tivesse uma mãe como aquela da minha melhor amiga.

São fantasias que normalmente criamos para enfrentar esse difícil mundo quando estamos crescendo e que temos que ter uma posição em relação à vida. Tudo o que meus pais falam eu discordo porque, se eu sempre concordar, esse não vai ser eu, será o meu pai. Eu preciso descobrir uma posição de pensamento para mim neste mundo. É uma verdadeira confusão de idéias para eu encontrar a minha própria idéia; eu preciso muito achar que a idéia de meus pais é a pior de todas para eu poder construir minhas opiniões.

Dizemos que esse sentimento de “depreciar” os pais faz parte de um desenvolvimento saudável na educação do filho. Não é necessário sentir tanta culpa em relação a isto porque você precisou deste seu sentimento para se estabelecer como um “ser”, uma pessoa com autonomia, independência e com identidade própria. Muitas pessoas carregam esta culpa nas costas até o final de suas vidas por terem se sentido tão agressivos com seus pais e por terem divergido tanto das opiniões deles. Mas provavelmente se você não fosse tão intenso, nesse sentido, é possível que você seria mais submisso em relação às questões da vida. Portanto, libere-se dessa culpa de ter sido tão contra seus pais e faça as pazes consigo mesmo.

No entanto, à medida que o tempo foi passando, fomos ultrapassando essa fase mais “negra” de nosso desenvolvimento e já encontramos um lugar no mundo e daí fica mais fácil discutir as opiniões de nossos pais, ate aceitando-as como verdadeiras, sem ter de disputar tanto. Alguns entram nessa fase mais facilmente, outros a duras penas. Porque vai depender muito de como isso foi conduzido ao longo de sua historia. Alguns pais muitas vezes entram em verdadeira disputa com seus filhos, não aceitando que o filho possa ter uma opinião divergente. Ou não se permitindo escutar o que seu filho tem a dizer.

Luzia Winandy

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