Hipocondria (entrevista)


Entrevista para o Portal: www.podbr.com

O que é hipocondria e o que a caracteriza?

Conhecida popularmente como a “mania de doença”, como já dizia Freud, onde simples pontos doloridos podem servir de base para acreditar que está portadora de uma doença grave, baseando-se numa interpretação incorreta de tais sintomas corporais. Essa suspeita de doença leva-os a estar constantemente vigiando seu corpo, com comportamentos repetidos de verificação da saúde, como providências para evitar o pior, uma distorção cognitiva na avaliação da saúde. O aumento da ansiedade que se desencadeia decorrente desta vigilância ao corpo provoca novas sensações corpóreas, que a pessoa pode avaliar como prova da doença. Podemos dizer que o aspecto nuclear que caracteriza a hipocondria é um medo ou crença infundada de estar sofrendo de uma enfermidade grave, baseando-se na interpretação errônea dos sintomas não patológicos como sinal de doença grave; envolve preocupação excessiva com doenças físicas, um estado de alerta nos movimentos corporais, atenção seletiva corporal com interpretações catastróficas de sinais ou sensações corporais como alguma doença grave. Está associada a ansiedades fóbicas de um medo irracional de morte, e uma ansiedade obsessiva em relação ao corpo, com uma preocupação e auto observação obsessiva do corpo.

Quais os sintomas da hipocondria?

• Viver com a suspeita constante de ser portador de alguma enfermidade grave. • Tem mania de comprar remédios na farmácia. • Dar importância excessiva a qualquer desconforto físico ou dor, como sinal de doença grave. • Grande sensibilidade para identificar movimentos, barulhos e outros sinais do corpo que passariam despercebidos para a maioria das pessoas. • A insônia, a enxaqueca e a labirintite, por exemplo, estão entre as queixas mais comuns das pessoas com hipocondria. Muitas vezes um simples mal estar como enxaqueca, dor abdominal, dores no peito ou musculares, que a pessoa interpreta como sendo uma doença grave, e mesmo comprovada com exames médicos a não existência de nenhuma doença, ela fica desconfiada e inicia uma peregrinação nos médicos.

Quando a preocupação com a saúde se torna excessiva e pode ser identificada como transtorno? Causas?

É medida pelo prejuízo que acarreta na vida da pessoa. Se usados com bom senso, uma atenção maior em relação a um diagnóstico e sintomas de doenças são normais e importantes. Passa a ser considerado um problema quando se torna uma preocupação constante e mesmo quando os exames e consultas médicas indiquem que se encontra saudável, a pessoa insistir na existência da doença e tornar isto um sofrimento. As causas disto podem ser constitucional, adquirido desde o nascimento e também devido a fatores ambientais, sendo este um grande facilitador da hipocondria. Se a pessoa foi educada num ambiente onde existiu um hiperproteção da mãe para a dor e doença, e para os sofrimentos da vida, como únicas fontes de atenção para a criança, a pessoa fica muito vulnerável a desenvolver uma hipocondria. Ou então ela pode ter vivido em ambientes com sensação permanente de insatisfação, carência e desatenção; Estados freqüentes de profunda ansiedade, tristeza ou depressão. Negativismo e queixas constantes em relação à vida. A proximidade com Doenças físicas graves com alguém da família. Ter perdido alguém da família por ter sofrido algum erro médico. Ou mesmo a morte de um parente ou amigo próximo. Isto pode estar relacionado ao quadro depressivo por conta disto.

Pode vir acompanhada por outros distúrbios?

A hipocondria está muito associada à ansiedade e aos transtornos de ansiedade em geral, bem como aos transtornos depressivos, as fobias, depressão, síndrome de pânico.

É comum a ingestão desnecessária de medicamentos e um ‘alívio’ após ingerir a medicina. Conseqüências.

A pessoa hipocondríaca está sempre tomando medicações, acreditando que com isto vai se livrar de sua doença para se sentir mais aliviada. Mas como os medicamentos não surtem efeito e a sensação de doença continua, ela recorre a novos médicos em busca de outros remédios. E assim vai desenvolvendo uma peregrinação aos médicos, sempre desconfiando do diagnóstico.

Quais as conseqüências: emocional e social/ Como o distúrbio afeta o dia a dia e a qualidade de vida do paciente?

Seus relacionamentos acabam se tornando bastante restritos, principalmente por ter uma preocupação muito voltada para si mesmo e negligenciar o relacionamento com os outros. Gasta muito de sua energia com essa suposta doença grave. Por ser considerada uma pessoa muito negativa e que só fala de doença e medicação é tida uma pessoa pouco agradável para se conviver e conseqüentemente existe um afrouxamento nos vínculos. Também pela irritação que o hipocondríaco demonstra com as pessoas da família, que não entendem como ela, a gravidade da suposta doença. Isto a afasta de uma convivência saudável. Nesse ponto, pode acabar por levar a uma desestruturação afetivo emocional e social de sua vida podendo conduzir a uma depressão.

Relações familiares e sociais tende a ser encarada como algo ‘engraçado’. Como auxiliar amigos e familiares que tenham este transtorno?

A patologia é séria e prejudica a vida de pacientes e parentes. É muito importante encaminhar uma pessoa com tal transtorno para um atendimento psicológico. Uma psicoterapia vai ajudar a desmistificar essas crenças que ele formou ao longo do tempo.

Sobre o Tratamento

O tratamento de psicoterapia é muito indicado. No entanto, são pacientes que se mostram hostis e desconfiados na relação com o terapeuta o que dificulta o vinculo terapêutico, tão importante para se formar um compromisso da pessoa com o tratamento. São pacientes que tem muita dificuldade em receber atendimento psicológico, por considerarem que seus problemas são físicos e não emocionais. Principalmente por usarem o corpo como um tipo de “abafador”, ao invés de serem pensadas as emoções e sentimentos, fica represado em nível de corpo e dor física, por ter dificuldade de entrar em contato com o mundo emocional; O trabalho todo evolui no sentido de ajudá-lo a entender seu problema e aliviar sua preocupação exacerbada com a saúde física e tratar o medo da doença, as crenças da doença bem como corrigir as idéias errôneas em relação aos sintomas.Em seguida, um processo de análise vai ajudar com que a capacidade de pensar se desenvolva como está olhando, processando aquilo que está de dentro e de fora dele. vamos descobrindo caminhos juntos. O tratamento é importante, na medida em que pode ajudar o paciente a lidar com a ansiedade e, ao mesmo tempo, diminuir as constantes procura por médicos e preocupação com doenças imaginárias.

Luzia Winandy. Direitos reservados.

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