Timidez


A timidez é uma ansiedade que a pessoa sente que vem caracterizada por um sentimento de vergonha, embaraço e inibição diante de algumas situações..

Importante lembrar que timidez, todos temos. Podemos ficar tímidos em determinadas situações como, por exemplo, no inicio de uma apresentação e no decorrer dela, e perder a timidez, à medida que vai evoluindo o material; ou podemos nos sentir tímidos diante de uma situação nova, e, à medida que interagimos, vamos perdendo a timidez. Portanto, a ansiedade decorrente dessa situação temida vai diminuindo, e a pessoa vai resgatando novamente o seu equilíbrio emocional, reencontrando sua zona de conforto.

A timidez excessiva, por outro lado, impede esta evolução natural, e, o sujeito portador dela, desiste de ir adiante, fica muito incomodado com esta percepção que ele tem de si próprio, fica se sentindo ridículo, não agüentando esperar baixar seu nível de ansiedade, por prestar muita atenção em si próprio, ficando sempre preocupado que estão todos vendo o quanto ele está “transtornado”, e, passa a evitar situações que lhe causam este desconforto, culminando muitas vezes num verdadeiro isolamento.

A maior dificuldade do tímido é um medo de ser avaliado negativamente, ser ridicularizado, e, por essa razão, ele tem muito medo de se mostrar em suas idéias, opiniões, mostrar suas falhas, o seu não saber.

Por exemplo, um aluno em sala de aula, que se sente envergonhado em fazer uma pergunta ao professor na sala, fica encabulado, enrubescido, com uma sensação de bolo na garganta, muitas vezes por receio de estar perguntando o óbvio, acreditando que todos já sabem aquela informação, ficando com medo de ser ridicularizado. Ele não quer mostrar que não sabe. Tem medo de se mostrar inferior aos outros. Formou alguma idéia de que não pode mostrar o seu não saber. É hipersensível a criticas. Qualquer comentário negativo sobre si e ele vê como se estivessem o ridicularizando.

Se a pessoa passar a evitar situações que lhe causam embaraço, como por exemplo, na busca de emprego, de namorada (o), de formar amizades novas, de aceitar uma promoção para não enfrentar uma reunião, etc. isto causa-lhe assim prejuízo em sua vida. Neste ponto ela vai empobrecer a qualidade de vida dela, incluindo os aspectos sociais, profissionais e afetivos.

A melhor forma de se relacionar é não criar expectativas sobre si próprio. O tímido vai para o relacionamento muito preocupado de como ele vai conduzir uma conversa, com um medo enorme de não ter assunto para conversar, ou ainda com um medo do vazio que pode ser formado no contato com o outro. Para estabelecer um relacionamento é muito importante aprender a ouvir o outro e para isto é importante prestar atenção no que ele está falando, se descolando um pouco de si próprio. O tímido muitas vezes fica tão preso nesta percepção de si, que não ouve o que o outro fala.

Outras vezes ele quer ter um controle antecipatório da situação. Isto acaba conduzindo-o para uma situação de ansiedade muito maior. Fica tentando antecipar situações para não cometer “gafes” e “falhas” por não se permitir errar nas situações, por medo de não ser aceito, ser debochado e criticado.

A timidez tem vários níveis. O termômetro da gravidade dela pode ser estimado pelo grau em que isto interfere na vida dela. Para aqueles que não conseguem superar sozinhos sua timidez, uma terapia pode obter resultados bastante expressivos. Vai ajudar a pessoa a entrar em contato com suas fragilidades, limitações, falhas, medos, fraquezas, defeitos. Ao olhar para seus principais sentimentos negativos e idéias errôneas que muitas vezes formulou ao longo da vida, como por exemplo, preciso acertar sempre, preciso ser boa para as pessoas gostarem de mim; desmitificar as interpretações erradas de seus pensamentos acerca de si mesma. Trabalhar a auto-estima (como a pessoa percebe e valoriza a si mesma). Ajudá-la a desenvolver maior confiança em si própria. Concomitantemente, utiliza-se na psicoterapia estratégias que levam a pessoa aprender a gerenciar seus medos de errar e poder ousar mais nas situações, ponderando com ela os reais riscos.

Luzia Winandy. Direitos Reservados.

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