Ansiedade e estresse (Entrevista)

Entrevista para o Portal

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É normal sentir ansiedade?. A Ansiedade é inerente ao desenvolvimento humano. Ansiedade é algo que permeia grande parte de nossas experiências. É ela que nos induz a reagir diante de situações novas. Existe uma tendência do organismo a se manter numa zona de conforto, numa calmaria interna. Se tivermos uma situação nova, entramos num estado de alerta, de tensão interna que nos mobiliza para buscar soluções para tal situação, com o intuito de retornarmos ao estado de conforto anterior. Com isso podemos dizer que a ansiedade é fundamental, ela nos tira da passividade, nos mobiliza para ter ações e atitudes e ainda ela que nos favorece a nossa adaptação a mudanças.

Ansiedade e estresse é a mesma coisa?

Se essa tensão interna(ansiedade) que a pessoa sente diante de um estimulo ansiogênico perdurar por um tempo maior que a pessoa possa agüentar, ela pode entrar num estado de uma exaustão e conduzir a um esgotamento(estresse). Ou seja, é a persistência de um estimulo ansiogênico contínuo que pode desencadear o estresse. O estimulo vai provocar o estresse se ele for continuadamente, sem um tempo de voltar a um estado anterior de zona de conforto, de calmaria; se ficar muito tempo sem voltar para este estado pode causar essa exaustão.

Quais podem ser as causas do estresse e da ansiedade?

Existem muitas situações e um grande fator constante de estresses hoje podemos dizer que o mercado corporativo muito exigente, como por exemplo, excesso de pressão no trabalho, alta competição, medo de demissão; temos ainda os problemas de relacionamento, problemas financeiros, de solidão entre outros. O importante a gente lembrar que não é o evento, a situação em si o essencial, porque um mesmo estimulo pode não ser tão estressante para outra pessoa. Vamos pensar num desemprego, para um pode lidar com a situação com otimismo e a ansiedade ser bem tolerada e encontrar logo o equilíbrio. Para outro, pode interpretar com pessimismo, e o fator da ansiedade ultrapassar o limite que ele possa suportar e acabar entrando em desequilíbrio, desencadeando um estresse. As pessoas têm limiares diferentes para viver o estresse, vai depender do significado que a pessoa dá para a situação, não é a situação em si o mais importante, ela não é essência, vai depender da interpretação que ela dá, o que ela pensa sobre a situação, que vai ser o fator determinante do estresse. E para isto, vai depender da sensibilidade afetiva dela, de seus recursos internos, da imagem que tem de si própria, da auto-estima e autoconfiança. É isto que vai determinar o quanto vai suportar as situações, os eventos, as mudanças na vida dela.

O estresse e a ansiedade em excesso podem ser prejudiciais à saúde? O corpo dá sinais que indica que está sofrendo de estresse?

As pessoas relatam uma desmotivação, um mal estar generalizado, insônia, dores musculares; tem muitas doenças que são desenvolvidas a partir de um estresse, muitas vezes, podendo evoluir para doenças mais graves, como uma depressão, u fobia, pânico. Outras vezes podem afetar a parte física, como hipertensão, dores musculares, gástricos e coronários. O estresse pode prejudicar nossa saúde, os estudos científicos mostram isso. São muitas doenças que são desenvolvidas pelo estresse. O estresse prejudica nossa saúde.

O que é necessário fazer, quais hábitos se devem evitar para equilibrar o estresse?

Se pensarmos, nosso dia a dia é repleto de conflito, buscamos constantemente uma zona de conforto interna e equilíbrio, mas a nossa rotina nos tira constantemente deste estado; estamos o tempo todo convivendo com conflitos de qualquer ordem. É muito importante a gente ter momentos para manter a mente em repouso; precisamos ter momentos para manter a mente mais livre de pensamentos. Para isso, vale à pena reservar um horário para si próprio procurando ter lazer, fazer algo que lhe dê prazer, podendo ser entre outros, fazer caminhadas ao ar livre, andar de bicicleta, em parques ou praças etc.; procurar ter um maior relacionamento social, fazer novos amigos, buscar velhas amizades, ir ao cinema, ao teatro. Procurar dormir bem e alimentar-se adequadamente. Tudo isto facilita a pessoa se distanciar um pouco do conflito, do problema e entrar nesta zona de conforto, calmaria interna, mesmo com o problema ali. É como se deixasse o problema um pouco em “stand by” deixar descansando o problema ajuda a gente percebê-lo de um jeito diferente. Quando vamos retornar novamente para o conflito, muitas vezes temos novos insights, e damos um peso diferente para ele. É importante olharmos para nós mesmos, reservando um espaço e momentos para a gente viver este repouso da mente com essas ou outras atividades já citadas.

Em um momento de esgotamento o que você recomenda a pessoa fazer A família e os amigos podem ajudar de alguma forma?

O mais indicado seria a pessoa monitorar seu nível de estresse e ficar sempre atento aos sinais de alterações, que podem aparecer como uma desmotivação excessiva e um cansaço mais generalizado, acompanhado com perturbações no sono (insônia ou dormir em excesso); dificuldades de concentração e uma impaciência incomum; ou ainda com dores musculares e físicas Se perceber que não está conseguindo voltar ao seu equilíbrio emocional, não deixe de procurar ajuda profissional. Quando tratados no inicio, uma psicoterapia evolui com muito mais facilidade. Um tratamento deve priorizar em encontrar qual é o núcleo dos conflitos que está conduzindo ao estresse, investigando a razão ou a causa motivadora. É muito comum os sintomas ocultarem conflitos bem adversos ao que se apresenta de modo manifesto. A família e os amigos são muito importantes. Em geral, os portadores na maioria das vezes não percebem que estão doentes, sentem-se principalmente desanimados, irritados e cansados e os familiares podem ajudar orientando-o a buscar ajuda, que muitas vezes sozinha é muito difícil. Alguns familiares até tentam ajudar diretamente, mas acabam muitas vezes sendo visto como cobrança. No sentindo de eles dizerem, por exemplo: Todo mundo passa por isto, tem de ser forte, você agüenta, não pode se abater etc. São palavras de fato positivas e otimistas. Mas para quem já está dominado pelo estresse pode passar como uma cobrança e ele se sentir pior ainda do que já está. Pode ficar se sentindo um fracassado, por nao dar conta de resolver tais problemas. Ao passo que uma ajuda profissional, em psicoterapia, ele vai poder reencontrar seu ponto de equilíbrio de um modo bem mais assertivo.

Luzia Winandy

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