Conflitos na Maternidade / Paternidade


Estes artigos tem o objetivo de apresentar o caminho que se percorre nesta árdua tarefa de “ser pais”.

Dizemos árdua no sentido de que é encarar um mundo completamente novo, onde o lugar que ocupamos até então era somente “ser filho”. Tudo parece mais simples quando somos filhos e quem se preocupou com nosso desenvolvimento, educação e bem estar foram nossos pais.

PENSANDO EM SER PAIS

Naturalmente não se consegue viver em lua de mel eternamente! Quando falamos em lua de mel falamos em dois, uma dupla que se apaixonou e viveu loucamente uma relação e, com o passar dos tempos percebem que só dois não estão dando conta de uma união tão intensa.

Como tudo na vida, passamos por fases. A natureza humana aponta que a inclusão de um terceiro vem como para sedimentar esta completude da relação. Já está na hora de se soltar um pouco um do outro e permitir que um pequenino venha fazer parte deste rol de amor.

Assim falando parece um conto de fadas e que tudo está marcado para ter um final feliz. Não é bem assim! Porque aí começam os conflitos inerentes de uma relação a três.

Completude de um amor não significa não entrar em conflitos. Pelo contrário, é através dos conflitos que o casal vai se unir mais e buscar juntos solucionar uma questão tão polêmica: como irei educar meu filho? Vem a mãe e diz que é de um jeito; e o pai diz que tem de ser de outro. Como vamos fazer?

E está aí o início de uma discussão que vai durar para sempre, se não usarmos o bom senso e a intuição. Porque nós nunca saberemos ao certo qual o caminho ideal para se correr. Nós nunca fomos pais antes e não está escrito em nenhum lugar, não existe um manual que mostre qual o caminho seguir, e teremos de descobrir a melhor forma de lidar com a situação.

Dizemos que o melhor manual somos nós próprios, com as nossas experiências anteriores com os nossos pais e com a história de vida que cada um trouxe para a sua vida e para vivê-la agora a três, quatro… Nós nascemos a partir de uma história e, se chegamos onde estamos e pudemos constituir uma família, quer dizer que nossos pais acertaram em grande parte aquilo que eles nos passaram, senão nós não estaríamos em condições de repetir esse processo.

Sendo assim, tragam um pouco para o momento presente, lembranças das vivências das relações com seus pais, e façam uma triagem daquilo que acharam que foi e não foi bom. Parece simples não e? É provável que na sua adolescência, muita crítica você fazia aos seus pais. Os pais eram tidos pela maioria das vezes como monstros por seus filhos adolescentes. Só mais tarde você percebe que os pais fizeram o que puderam, dado o que receberam como educação; começam a perceber que os pais não foram tão monstros quanto achavam e que eles são até legais, e agora se tornaram amigos e confiantes neles. Mas isso só vamos perceber quando adultos, na maioria das vezes. Percebemos que os pais fizeram o que puderam e, finalmente não temos mais nada ou quase nada contra nossa educação. Ou que em determinados aspectos faríamos diferente com nossos filhos.

Nossos pais também não sabiam ser pais, aprenderam com os filhos, aprenderam sendo pais. Agora vamos trazer a tona tudo isso que somos e aprendemos de nossos pais, fazendo alguns ajustes que combinam com seu jeito de ser e com suas expectativas. E assim vai se formando uma descoberta desse mundo novo “ser pai”. Lembrando sempre que educação se faz principalmente por intuição.

No entanto se você percebe que suas experiências de vida estão dificultando sua intuição materna e paterna e estão entrando em conflito na sua posição de mãe e pai, na educação de seu filho, procurem ajuda profissional. Para isso existem profissionais da área muitíssimos habilitados não para ensiná-lo a serem pais, mas para ajudá-los a entenderem esse seu mundo emocional e permitir dar vazão a todo seu potencial de pai e mãe que se apoderam de vocês.

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A Chegada do bebê e a Vida de Casal

Por Luzia Winandy

A chegada de um bebê representa uma transformação total no casal no sentido de que passa a existir, a partir daí, um terceiro, formando assim um triângulo de amor. Todas as atenções e cuidados são agora dirigidos para este pequeno ser, indefeso e fruto da relação amorosa. Isto em alguns casais pode gerar alguns conflitos inconscientes, principalmente por esta quebra de atenção e cuidados um com o outro. Principalmente o pai pode se sentir, em alguns momentos, excluído dessa ligação tão intensa formada pela mãe e pelo bebê.

É importante que o casal possa estabelecer muito diálogo em relação aos seus sentimentos e se apropriar deles sem sentirem-se culpados. Sentimentos de ciúmes, quando não identificados podem aparecer de maneira encoberta por fugas principalmente paternas. Fugas essas que podem se transformar em saídas noturnas freqüentes com os amigos, esticar horário de trabalho, ficar hostil e agressivo.

Apesar da evolução dos tempos e da conquista cada vez maior da igualdade entre os sexos, é a mãe que desenvolve o que chamaremos aqui de “preocupação materna”, que é um estado de sensibilidade maior, que as capacita a se adaptar delicada e sensivelmente às necessidades iniciais do bebê (Winnicott 1993). Isto possibilita à mãe sentir as necessidades de seu pequenino e satisfazer seus anseios iniciais. Porém isto não significa que deixou de amar seu parceiro. Mas num primeiro momento a dedicação ao bebê “suga” a maior parte do tempo da mãe.

Quando a mãe fornece ao bebê essa adaptação “suficientemente boa” à sua necessidade, tudo transcorre com maior facilidade, e é menos perturbador nestes primeiros meses.

É muito importante a mãe introduzir o pai nesta relação. Permitir e dividir com ele seus anseios e cuidados com o bebê.

Pouco a pouco, à medida que os meses vão se passando, a mãe vai se recuperando desse estado tão sensível e ao mesmo tempo o bebê já não exige cuidados tão intensos. O bebê já consegue esperar um pouco mais, está mais tolerante a alguma demora em ser atendido, e o casal já pode novamente retomar seu lugar de receber e dar cuidados um para o outro, e também para o bebê.

Este triângulo amoroso está formado e o bebê agora já está ocupando um lugar de destaque no seio familiar. A readaptação do casal se forma ao longo destes meses e todos os planos agora envolvem os três.

Normalmente, após a vinda do bebê, a dedicação a ele se torna tão intensa a ponto dos pais perderem seu lugar de casal, podendo comprometer o casamento, ao longo do tempo.

Não serão mais como recém casados, mas sim um casal muito mais amadurecido, e que estão agora podendo compartilhar o amor com mais um, sem perder de vista a dupla marido e mulher. Ir a um cinema juntos, tomar um “drink” fora de casa, dialogar ou realizar algum programinha que envolva os dois é fundamental para manter a chama do amor. Isto permite ao casal ficar mais fortalecido e falar uma linguagem mais coerente com seu filho.

O filho terá de ser colocado em primeiro lugar em muitas decisões, até mesmo com sacrifício dos pais. Mas mesmo assim o casal não pode perder este lugar na relação conjugal.

É muito comum os pais esquecerem-se de si e passarem a dedicar todo o tempo disponível para seu filho.

Isto é compreensível até pela correria do dia a dia, onde marido e mulher dividem o tempo tanto com o trabalho fora, como das tarefas caseiras. E quando chegam em casa encontram o filho que passou o dia todo, ou com babá, ou na escolinha, carente de cuidados da mãe e do pai. Não tem como não lhe dar atenção e cuidados. E isso é importante que seja feito, e quando vão dormir já se encontram exaustos e não sobra a mínima vontade de dedicarem-se.

Por isso é tão necessário que o casal reserve, como um compromisso mesmo agendado, um programinha a dois a cada semana ou quinzena, à medida que for possível e que o tempo permitir.

Não existe uma regra definida para essas adaptações; cada casal formará a sua. O importante é o casal não perder de vista que eles precisam também de cuidados e dedicação entre si mesmo em pequenas doses, porque é isto que manterá uma boa relação conjugal e permitirá uma vida familiar mais harmoniosa, e o filho saberá melhor o lugar que ele ocupa nesta família.

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Ser Pais e conflitos Subjacentes

Por Luzia Winandy

Quantos momentos eu sentia que “odiava” meus pais e achava que eles eram uns “caretas”; e quantas vezes eu os achava os piores pais do mundo e pensava que não gostava mais deles; tudo que eles diziam eu era do contra. Será que vai acontecer a mesma coisa comigo? São dúvidas e perguntas que acompanham a maioria dos pretendentes a pais. E assim muitas vezes decidem que querem ser um pai bonzinho e que seu filho não sentirá nada disso, que o amará incondicionalmente.

É muitas vezes pensando nisto que muitos pais acabam se conturbando nessa sua dúvida em relação a serem pais. Muitos dizem, quero ser um pai moderno, meu filho nunca me chamará de careta, e vai sempre se orgulhar de mim por eu ser bem atualizado em relação à vida. Vou fazer tudo para meu filho. Nada lhe faltará.

Fica assim marcado o inicio de uma educação fadada a ter um final catastrófico ou pelo menos conturbada.

Importante salientar que este mal estar que sentimos em relação a nossos pais no passado, essa necessidade de discordarmos em relação ao que eles nos ensinavam, ter pensamentos ruins sobre eles, tudo isso, faz parte do desenvolvimento humano. Nós muitas vezes precisamos disso para nos auto afirmar. Uns precisam mais, outros menos, mas é certo que a grande maioria para encontrar um lugar no mundo, se posicionar em relação a uma identidade, precisou muitas vezes achar os pais os piores pais do mundo; precisou achar que o pai do amigo era um cara bem mais legal e pensava ainda: como seria bom se tivesse uma mãe como aquela da minha melhor amiga!

São fantasias que normalmente criamos para enfrentar esse difícil mundo quando estamos crescendo e que temos que ter uma posição em relação à vida. Tudo o que meus pais falam eu discordo porque, se eu sempre concordar, esse não vai ser eu, será o meu pai. Eu preciso descobrir uma posição de pensamento para mim neste mundo. É uma verdadeira confusão de idéias para eu encontrar a minha própria idéia; eu preciso muito achar que a idéia de meus pais é a pior de todas para eu poder construir minhas opiniões.

Dizemos que esse sentimento de “depreciar” os pais faz parte de um desenvolvimento saudável na educação do filho. Não é necessário sentir tanta culpa em relação a isto porque você precisou deste seu sentimento para se estabelecer como um “ser”, uma pessoa com autonomia, independência e com identidade própria. Muitas pessoas carregam esta culpa nas costas até o final de suas vidas por terem se sentido tão agressivos com seus pais e por terem divergido tanto das opiniões deles. Mas provavelmente se você não fosse tão intenso, nesse sentido, é possível que você seria mais submisso em relação às questões da vida. Portanto, libere-se dessa culpa de ter sido tão contra seus pais e faça as pazes consigo mesmo.

No entanto, à medida que o tempo foi passando, fomos ultrapassando essa fase mais “negra” de nosso desenvolvimento e já encontramos um lugar no mundo e daí fica mais fácil discutir as opiniões de nossos pais, ate aceitando-as como verdadeiras, sem ter de disputar tanto. Alguns entram nessa fase mais facilmente, outros a duras penas. Porque vai depender muito de como isso foi conduzido ao longo de sua historia. Alguns pais muitas vezes entram em verdadeira disputa com seus filhos, não aceitando que o filho possa ter uma opinião divergente. Ou não se permitindo escutar o que seu filho tem a dizer.

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Medo de não conseguir amar meu bebê

Por Luzia Winandy

Alguns casais pretendentes a pais muitas vezes sentem muito medo de não conseguir amar o bebê. Mesmo depois que ele nasce, eles tem essa sensação de que o amor não parece assim tão grandioso, e sentem medo de estar rejeitando seu pequenino.

É natural que no inicio do nascimento do bebê, muitas coisas mudam na vida de um casal. Aquela tranqüilidade, noites de sono dormidas intensamente, saídas noturnas sem preocupação com horários, programas com amigos ate altas horas, baladas, etc.etc… Vai naturalmente ocorrer uma transformação. Porque agora existe um bebê que precisa de cuidados e atenção e também de horários. Ou seja, o bebê acaba sendo um impedimento para muitas coisas que são prazerosas, e agora praticamente tudo gira em torno dele.

É natural que todas esta aceitação vai ocorrendo pouco a pouco. Precisa existir um tempo de assimilação dessa nova rotina. Como qualquer mudança na vida, ter um bebê também requer que se acostume com a rotina, para que haja uma acomodação.

E isto não vem de imediato. Vem crescendo pouco a pouco. Até porque um bebê recém nascido ocupa muito o tempo da mãe e muitas vezes isto a deixa estressada. O que também e normal. Por isso que sempre dizemos que e bom ter alguém para ajudar nos cuidados com o bebê, como a mãe, sogra, tia, para dividir um pouco essa tarefa inicial.

Os pais ficam na maior expectativa de receber um bebê, e quando se deparam com todo aquele trabalho, e recebendo pouco do bebê como resposta, tem algumas vezes sentimentos de decepção. O bebê ainda não brinca, e se sorri é por reflexo. Mas à medida que o bebê vai crescendo, vai nos dando respostas cada vez mais gratificantes, correspondendo aos nossos afagos, sorrindo e mostrando sinais de alegria e nossos sentimentos de amor vão assim aumentando gradualmente.

O amor vai crescendo junto com tudo isso, não vem pronto. À medida que somos gratificados com o bebê, mais gratificação passa para ele, e o amor vai aumentando e se acomodando a novos costumes da família. Então esse pequenino se torna tão importante que tudo se torna sem graça sem a presença dele.

Mas para isto precisou de um tempo, não fique esperando esse amor incondicional imediato. Ele vai aumentando gradativamente ele não nasce tão grande.

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Como Entender o Que Meu Filho Diz Com Seu Choro

Por Luzia Winandy

“Nunca cuidei de um bebê, não faço idéia como lidar com ele, sou completamente sem experiência, acho que não vou saber entender o choro dele.”

São preocupações muito comuns em pais de primeira viagem. Com as famílias cada vez mais “enxutas”, com poucos ou nenhum irmão, cada vez se tem menos contato com irmãos menores, crianças pequenas e as pessoas sentem uma sensação de impotência ao dar cuidados para um bebê. Um verdadeiro pavor de que, cuidar de um bebê necessita ter experiência anterior, e que não saberá atender aos pedidos dele.

Não é esse o caso de maternidade e paternidade. Apesar de não se ter experiência anterior, carregamos dentro de nós, principalmente as mães, uma capacidade intuitiva que não se aprende em nenhum lugar. Vamos escutar o choro do bebê levantando hipóteses: se acharmos que é porque tem fome, então lhe daremos de mamar; daremos chazinho se acharmos que tem sede; o trocaremos se estiver molhado e, se o choro persiste, pegaremos no colo e deixamo-lo sentir o calor de um afeto.

Não podemos nos esquecer que o bebê saiu de um aconchego materno, com toda a proteção humana, e que o calor dos braços dão uma proteção equivalente. Pegue seu bebê quantas vezes precisar. Não se preocupe se dizem que vai ficar mimado. O bebê muitas vezes precisa ficar um pouco mimado para depois poder se soltar dos braços maternos.

À medida que ele vai crescendo, por volta dos 4 meses, ao chorar, ele já pode esperar um pouco mais até receber os cuidados da mãe. O choro também faz bem para o bebê, alem de ajudá-lo a desenvolver os pulmões, o ajuda a perceber que se ele chora, ele vai receber os cuidados que precisa. Vai adquirindo segurança nesta construção. Mas principalmente nos primeiros três meses iniciais é muito importante acolhê-lo quantas vezes forem necessárias.

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O “Dizer” e o “Fazer”

Por Luzia Winandy

Escutar o que o filho tem a dizer não implica que irá prevalecer o que ele diz. Mas sim colocar em discussão propostas diferentes, pensamentos diferentes. Deixar que o filho fale sobre o que pensa não quer dizer que o pai está deixando-o fazer o que quiser. Falar é diferente de fazer. O filho pode vir e dizer para seus pais que ele é um quadrado e que a “maconha” por exemplo, é um negocio bom, e que não faz mal nenhum.

Está posta ai uma discussão onde se vai permitir discernir sobre os benefícios e malefícios do uso da maconha. Colocar em discussão não quer dizer aceitar que seu filho use maconha. É poder falar sobre isso, ajudar o filho a pensar sobre isto e deixar claro para ele que eles são, por exemplo, totalmente contra o uso da maconha e que ele não terá escolha sobre usar ou não, mas que nada impede de falarem sobre isso. Dar abertura para que a palavra ocupe o lugar do ato. Isto faz uma grande diferença.

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